domingo, 3 de maio de 2009

Como cresci gostando de estórias

Como disse antes, os pais são os primeiros contadores de estórias. São eles que promovem o primeiro contato dos filhos com o mundo da leitura, desde as brincadeiras inventadas com os brinquedos para divertir seus bebês, passando por cantigas de roda e de ninar, até a hora da estorinha antes de dormir. Comigo foi assim. Lembro-me que tinha uns 4 anos, ainda filha única e morava num prédio na Gustavo Riedel, em Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro. Meu pai se sentava ao meu lado na minha cama e pegava uns livros coloridos com estórias sobre as cores, os números, os bichos, e ia me contando com aquela voz bonita, melodiosa, própria para agradar aos ouvidos tenros de uma criança.

Minha mãe também era uma leitora ávida. Tínhamos dúzias de coleções em casa, muitas delas - como a Enciclopédia Disney - compradas para mim. Tinha a Coleção Madrigal, da editora Scala, com lindos livrinhos da literatura mundial, como Tartarin de Tarrascon, A Menina das Nuvens, O Pequeno Lorde e O Rouxinol e Outros Contos (de Andersen), todos arrumadinhos numa caixa de papelão duro em forma de casinha.

Outro tesouro que meus pais me deram foi um livrão enorme, pesado para uma garotinha carregar: O Grande Livro das Fábulas. Lindamente ilustrado, esse me fez sonhar muito com as estórias de Aladim, Abu Sir e Abu Kir, Rapunzel, O Pequeno Polegar, Pequerrucha (ou Polegarzinha), e O Gato de Botas. Se não bastasse todo esse encantamento, vinha um móbile dos personagens das estórias. Era lindo!

Depois deles, devorei a Enciclopédia Disney. Era muito legal, falava de assuntos tidos como chatos e maçantes, mas de uma forma divertida, com os personagens Disney, em linguagem de gibi. Fácil de ler e de entender temas geralmente fora da área de interesse de crianças, como ópera... hehehe...

Tínhamos 7 volumes. Li todos, querendo mais. E foi muito tempo depois, quase 15 anos depois que, num sebo de São Paulo, descobri que a coleção tinha mais dois volumes... Comprei-os de imediato!

Depois, vieram livros e mais livros. Devorei uma Seleção do Readers´Digest; A Biblioteca das Moças; a série de livros da Jean Plaidy, sobre os bastidores, esquemas e crimes da nobreza britânica entre os séculos XVI e XVIII; "Sissi", livro sobre a imperatriz Elisabeth da Áustria; os livros de P.L.Travers sobre Mary Poppins, a babá mágica; os romances de Barbara Cartland; gibis da Turma da Mônica...

Ixi... tantos livros, tantas estórias, que meu mundo ficou grande demais para caber só em mim e aí... Bem, aí tive que virar uma contadora de estórias! Mas essa fica para outro dia...

7 comentários:

  1. Até que enfim! Mais de 40 anos depois, encontro alguem que também leu e gostou muito da linda Coleção Madrigal, da editora Scala, em forma de casinha, com aqueles livrinhos montados num pequeno suporte de madeira. Foi uma das primeiras paixões da minha carreira de leitor quase compulsivo. . . Muitas vezes pensei que nunca mais veria a imagem da caixinha acima. Alem dos títulos mencionados, lembro-me também de outros volumes: A Tempestade (minha primeira leitura de Shakespeare, aos 9 anos!), Emil e os Detetives (numa adaptação da inesquecível Lúcia Benedetti), Um Ianque na Corte do Rei Arthur (sendo apresentado ao estilo de Mark Twain) e Pinóquio. Faltou algum? Parabéns, você ainda tem a coleção?
    Marcelo.leite.silveira@gmail.com

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  2. É mesmo! há tempos que procuro informações sobre a Coleção Madrigal. Eu me lembro do suporte de madeira. Não me lembro desta caixa da fotografia! Pesquisando fiquei sabendo que A Menina das Nuvens se tornou uma ópera teatral. Gostaria muito de ter assistido!
    Parabéns pela sua mensagem. Gostei muito de ler.
    Abraços,
    Guacira

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  3. Eu, que sou um leitor compulsivo, agradeço esta dádiva ao meu pai que sempre me presentou livros
    e revistas. Sem contar o jornal que trazia diariamente do escritório.
    A emoção bateu, quando ví a foto da casinha Coleção Madrigal. Ganhei uma igual numa noite de natal. O meu pai nunca foi tão Papai Noel, como naquele Natal! Um presente inesquecível.
    Parabéns, pura emoção!

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  4. Fiquei maravilhada quando procurando no Google vi a mesma foto da caixinha que tenho numa foto da minha época de ginásio, então, será que alguém poderá me ajudar? estudei no Colégio Pedro II, e todas as turmas tiraram fotos de uma empresa ( na foto estou uniformizada com a caixinha da Coleções Madrigal sobre uma mesa), daí q estamos fazendo um mutirão na tentativa de encontrar a empresa, ou informações que nos levem até ela, fazemos parte de comunidades do nosso amado Colégio, e ficaremos muito felizes com qualquer informação, grata, abraços Terezinha Gomes

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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  6. Minha irmã ganhou a coleção Madrigal de presente da Tia Elzi no seu aniversário(20/08).Morávamos numa cidade bem pequena. Ela enviou pelo correio, no aniversário (20/08). Foi pura alegria. Li, reli todos os livros, várias vezes. Entrava dentro da estória e me engrandecia como o personagem central. Hoje entrei na internet na esperança de encontrar alguma para poder presentear a uma criança, e estou vendo o relato gostoso de várias outras pessoas que também leram, quando eram crianças. Obrigado pessoal.

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  7. Olá Gabriela:
    Mais uma vez, parabéns por preservar esses livros tão queridos. Você concordaria em digitalizar essa Coleção Madrigal? Eu trabalho há muitos anos em gestão documental e publicações eletrônicas, especialmente depois de atuar como coordenador do acervo jornalístico do Estadão (jornal O Estado de S. Paulo). Gostaria muito de reler algumas dessas histórias para os meus netos... Tenho recursos tecnológicos para digitalizar com ótima qualidade, e posso colaborar. O que acha da ideia ? Caso tenha interesse, entre em contato comigo pelo e-mail marcelo.leite.silveira@gmail.com

    Cordialmente,

    Marcelo Leite Silveira

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