Sabe onde você encontra o livro da Cigana?

http://www.livrariacultura.com.br/busca?N=0&Ntt=kopinits https://www.cepe.com.br/lojacepe/index.php/livros/era-uma-vez.html

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

A Cigana recomenda: "Tuquinha, La Fontaine e Esopo"


Já imaginou como seria o encontro entre um gaúcho - muy macho Tchê! – e dois dos maiores fabulistas do mundo - o francês Jean de La Fontaine e o colega Esopo? A estória é a seguinte: o gaúcho Tuquinha decidiu escrever uma carta aos dois autores convidando-os a serem seus hóspedes. O convite foi aceito, os estrangeiros chegaram ao Rio Grande do Sul e a visita deles virou – para o leitor - uma deliciosa viagem literária de quinze dias, quinze “tertúlias” ou saraus literários, em que os mestres se alternam na narrativa de suas obras.
A mistura da rica cultura gaúcha – com suas expressões idiomáticas e costumes particulares – e as narrativas em que os animais arremedam os humanos em suas belezas e vilezas, temperada pelas contribuições opiniativas do anfitrião e sua senhora – uma “chinoca” pra lá de peculiar - tornam “Tuquinha, La Fontaine e Esopo” (AGE, 2010) uma obra imperdível para jovens e adultos. O autor é Luiz Morvan Grafulha Corrêa, membro da Associação Gaúcha de Escritores.
Luiz Grafulha também é o autor de “Causos do Tuquinha (2002), “Tuquinha e as Lendas Gauchescas” (2006), “Barbaridade, Tchê” (2007) e “Uma morada para velhos corcéis” (2008), entre outras deliciosas obras. Vale a pena conhecer, a diversão é garantida. À venda nas melhores livrarias :)

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Meu livro será paradidático!


O livro de estórias da Cigana Contadora de Estórias, personagem da escritora Gabriela Kopinits, será adotado como paradidático nas turmas da educação infantil do Colégio Bela Flor Criativa, a partir do próximo ano.  “Era uma vez… estórias de uma contadora de estórias” (Cepe Editora, 2014) traz dez contos infantis ilustrados pelo designer recifense Rivaldo Barboza e foi indicado ao Prêmio Jabuti, em sua versão digital com narração da própria autora, no ano passado.
“Quando conhecemos o livro, foi um desejo nosso trazê-lo para a escola e quando conhecemos a autora, que veio contar suas estórias para nossas crianças, ficamos ainda mais encantados e decidimos adotá-lo como nosso paradidático”, disse a psicopedagoga Fernanda Lima, diretora pedagógica do educandário.  “Foi uma alegria muito grande saber que o meu livro será adotado numa escola que tem uma pedagogia tão especial e uma boa surpresa também, pois geralmente as escolas optam por indicações de livros de autores de fora, das editoras de massa. A Cepe é uma editora pública, que não tem foco primário no comercial, mas na boa produção literária pernambucana. Então, é um motivo de orgulho porque o ‘Era uma vez’ é um livro produzido aqui, de uma autora local”, comentou Gabriela, a Cigana Contadora de Estórias.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Dia das Bruxas com estórias de... bruxas!

Feliz encontro!
Ontem foi Dia das Bruxas e eu comemorei com uma divertidamente assustadora sessão de estórias na Biblioteca Álvaro Lins, do Sesc Caruaru, com as crianças da 1ª série da Escola do Sesc. 

Contei "Sopa de bruxa", de Jeong Hae-Wang; "A bruxa que tinha medo do Halloween", (The witch who was frightened of Halloween) de Bertie, do site Story Nory; e "A casinha laranja" ("The little orange house") de Jean Stangl, uma estorinha que usa a técnica do kirigami. As duas últimas foram traduzidas e adaptadas por mim. Foi muito legal 

Feliz partida e feliz reencontro!





domingo, 30 de outubro de 2016

Crônica: "Lixo", de Luís Fernando Veríssimo

Dei de cara com essa deliciosa crônica do Luís Fernando Veríssimo no livro "Festa de Criança", da coleção 'Para gostar de ler' júnior - da Editora Ática, com ilustrações de Caulos. O livro é uma coletânea de textos do Veríssimo e esse, do "Lixo", me conquistou. Leia e se divirta também!
O autor, em registro do site Papo de Cinema


Lixo

Encontram-se na área de serviço. Cada um com seu pacote de lixo. É a primeira vez que se falam.

- Bom dia...
- Bom dia.
- A senhora é do 610.
- E o senhor do 612
- É.
- Eu ainda não lhe conhecia pessoalmente...

- Pois é...
- Desculpe a minha indiscrição, mas tenho visto o seu lixo...
- O meu quê?
- O seu lixo.
- Ah...
- Reparei que nunca é muito. Sua família deve ser pequena...
- Na verdade sou só eu.
- Mmmm. Notei também que o senhor usa muito comida em lata.
- É que eu tenho que fazer minha própria comida. E como não sei cozinhar...
- Entendo.
- A senhora também...
- Me chame de você.
- Você também perdoe a minha indiscrição, mas tenho visto alguns restos de comida em seu lixo. Champignons, coisas assim...
- É que eu gosto muito de cozinhar. Fazer pratos diferentes. Mas, como moro sozinha, às vezes sobra...
- A senhora... Você não tem família?
- Tenho, mas não aqui.
- No Espírito Santo.
- Como é que você sabe?
- Vejo uns envelopes no seu lixo. Do Espírito Santo.
- É. Mamãe escreve todas as semanas.
- Ela é professora?
- Isso é incrível! Como foi que você adivinhou?
- Pela letra no envelope. Achei que era letra de professora.
- O senhor não recebe muitas cartas. A julgar pelo seu lixo.
- Pois é...
- No outro dia tinha um envelope de telegrama amassado.
- É.
- Más notícias?
- Meu pai. Morreu.
- Sinto muito.
- Ele já estava bem velhinho. Lá no Sul. Há tempos não nos víamos.
- Foi por isso que você recomeçou a fumar?
- Como é que você sabe?
- De um dia para o outro começaram a aparecer carteiras de cigarro amassadas no seu lixo.
- É verdade. Mas consegui parar outra vez.
- Eu, graças a Deus, nunca fumei.
- Eu sei. Mas tenho visto uns vidrinhos de comprimido no seu lixo...
- Tranquüilizantes. Foi uma fase. Já passou.
- Você brigou com o namorado, certo?
- Isso você também descobriu no lixo?
- Primeiro o buquê de flores, com o cartãozinho, jogado fora. Depois, muito lenço de papel.
- É, chorei bastante, mas já passou.
- Mas hoje ainda tem uns lencinhos...
- É que eu estou com um pouco de coriza.
- Ah.
- Vejo muita revista de palavras cruzadas no seu lixo.
- É. Sim. Bem. Eu fico muito em casa. Não saio muito. Sabe como é.
- Namorada?
- Não.
- Mas há uns dias tinha uma fotografia de mulher no seu lixo. Até bonitinha.
- Eu estava limpando umas gavetas. Coisa antiga.
- Você não rasgou a fotografia. Isso significa que, no fundo, você quer que ela volte.
- Você já está analisando o meu lixo!
- Não posso negar que o seu lixo me interessou.
- Engraçado. Quando examinei o seu lixo, decidi que gostaria de conhecê-la. Acho que foi a poesia.
- Não! Você viu meus poemas?
- Vi e gostei muito.
- Mas são muito ruins!
- Se você achasse eles ruins mesmo, teria rasgado. Eles só estavam dobrados.
- Se eu soubesse que você ia ler...
- Só não fiquei com eles porque, afinal, estaria roubando. Se bem que, não sei: o lixo da pessoa ainda é propriedade dela?
- Acho que não. Lixo é domínio público.
- Você tem razão. Através do lixo, o particular se torna público. O que sobra da nossa vida privada se integra com a sobra dos outros. O lixo é comunitário. É a nossa parte mais social. Será isso?
- Bom, aí você já está indo fundo demais no lixo. Acho que...
- Ontem, no seu lixo...
- O quê?
- Me enganei, ou eram cascas de camarão?
- Acertou. Comprei uns camarões graúdos e descasquei.
- Eu adoro camarão.
- Descasquei, mas ainda não comi. Quem sabe a gente pode...
- Jantar juntos?
- É.
- Não quero dar trabalho.
- Trabalho nenhum.
- Vai sujar a sua cozinha?
- Nada. Num instante se limpa tudo e põe os restos fora.- No seu lixo ou no meu?

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Conto: "O homem que pôs um ovo" - Câmara Cascudo

"Quem tiver o seu segredo, 
Não conte a mulher casada,

Esta conta ao seu marido,
O marido aos camaradas...

Em algum lugar lá pelo interior desse Brasil, um marido tinha uma mulher que gabava-se em saber guardar segredo. Vivia dizendo que as outras eram saco rasgado e ninguém podia confiar senão no juízo dela.
Tanto se gabou e se gabou que o marido pensou em fazer uma experiência para ver se a mulher era mesmo segura de língua.
Uma noite, voltando tarde para casa, o homem trouxe um grande ovo de pata, que é muito maior do que os da galinha, e deitou-se na cama. Lá para as tantas da madrugada, acordou a mulher, todo assustado e, pedindo que ela guardasse todo segredo, contou que acabara de pôr um ovo!
A mulher só faltou morrer de admiração, mas o marido mostrou o ovo e ela acreditou, jurando que nem ao padre confessor havia de dizer o que soubera.
Ora muito bem. Pela manhã, assim que o marido saiu para o trabalho a mulher correu para a vizinha e, pedindo segredo de amiga, contou que o marido pusera um ovo na cama e estava todo aborrecido com essa desgraça.
A vizinha prometeu que ninguém saberia, mas passou o dia contando o caso, ao marido, aos vizinhos, aos conhecidos, sempre pedindo segredo.
E, como quem conta um conto aumenta um ponto, toda vez que a história passava adiante o ovo ia mudando de número. Primeiro era um, depois dois, deppois três... e ao anoitecer o homem já pusera meio cento de ovos.
Voltando para casa, o marido encontrou-se com um amigo e este lhe disse que havia novidade naquela rua.
- Qual a novidade ?
- Não soube ? Uma coisa bem esquisita! Imagine que um morador nesta rua pôs, penso eu, quase um cento de ovos, seu mano ! Diz que está muito doente e que cada ovo tem duas gemas. É mesmo o fim do mundo.
O marido não quis saber quem estava de vigia. Entrou em casa, chamou a mulher, agarrou uma bengala e passou-lhe a lenha com vontade, dando uma surra de preceito, que a deixou de cama, toda moída e com panos de água e sal.
Depois o homem saiu contando como o caso começara e a mulher ficou desmoralizada."


Essa estória foi publicada no livro "Contos tradicionais do Brasil", de Câmara Cascudo (Ediouro, 1999), uma beleza de coletânea com muitos contos deliciosos recolhidos pelo querido mestre folclorista.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Conto: "O gigante egoísta", de Oscar Wilde

Todas as tardes, ao regressar da escola, as crianças costumavam ir brincar no jardim do Gigante.
Era um jardim amplo e belo, com um gramado macio e verde. Aqui e ali, por sobre a relva erguiam-se lindas flores como estrelas e havia doze pessegueiros que na primavera floresciam em delicados botões cor-de-rosa e pérola, e no outono davam saborosos frutos. Os pássaros pousavam nas árvores e cantavam tão suavemente que as crianças costumavam parar suas brincadeiras para ouvi-los.
“Como somos felizes aqui!”, gritavam uns para os outros.
Um dia o Gigante voltou. Tinha ido visitar seu amigo, o Ogro da Cornualha, e ali vivera com ele durante sete anos. Passados os sete anos, dissera tudo quanto tinha a dizer, pois sua conversa era limitada, e decidiu voltar para seu castelo. Ao chegar, viu as crianças brincando no jardim.
– O que vocês estão fazendo aqui? – gritou ele, com voz bastante ríspida, e as crianças fugiram.
– O meu jardim é o meu jardim – disse o Gigante. Todos devem entender isso e não consentirei que nenhuma outra pessoa, senão eu, brinque nele.
Construiu um alto muro cercando-o e pôs nele um cartaz:

É PROIBIDA A ENTRADA
OS TRANSGRESSORES SERÃO PROCESSADOS

Era um gigante muito egoísta.
As pobres crianças não tinham agora lugar onde brincar. Tentaram brincar na estrada, mas a estrada tinha muita poeira e estava cheia de pedras duras, e isso não lhes agradou. Tomaram o costume de vaguear, terminadas as aulas, em redor dos altos muros, conversando a respeito do belo jardim por eles cercados. “Como éramos felizes ali!”, diziam uns aos outros.
Depois chegou a primavera e por todo o país havia passarinhos e florezinhas. Somente no jardim do Gigante egoísta reinava ainda o inverno. Os pássaros, uma vez que não havia meninos, não cuidavam de cantar nele e as árvores esqueciam-se de florescer. Somente uma bela flor apontou a cabeça entre a relva, mas, quando viu o cartaz, ficou tão triste por causa das crianças que se deixou cair de novo no chão, voltando a dormir. Os únicos que se alegraram foram a Neve e a Geada.
– A primavera esqueceu-se deste jardim – exclamaram – de modo que viveremos aqui durante o ano inteiro.
A Neve cobriu a relva com seu grande manto branco e o Gelo pintou todas as árvores de prata. Então convidaram o Vento Norte para ficar com eles e o vento veio. Estava envolto em peles e bramava o dia inteiro no jardim, derrubando chaminés.
– Este lugar é delicioso – dizia ele. Devemos convidar o Granizo a fazer-nos uma visita.
De modo que o Granizo veio. Todos os dias, durante três horas, rufava no telhado do castelo, até que quebrou a maior parte das ardósias, e depois se punha a dar voltas loucas no jardim, o mais depressa que podia. Vestia-se de cinza e seu hálito era frio como gelo.
– Não posso compreender por que a Primavera está demorando tanto a chegar – disse o Gigante egoísta, ao sentar-se à janela e olhar para fora, para seu jardim frio e branco.  Espero que haja uma mudança de tempo.
Mas a Primavera nunca chegou, nem tampouco o Verão. O Outono deu frutos áureos a todos os jardins, mas ao jardim do Gigante não deu nenhum.
– É demasiado egoísta – disse ele.
De modo que havia sempre Inverno ali, e o Vento Norte, e o Granizo, e a Geada e a Neve dançavam por entre as árvores.
Uma manhã jazia o Gigante acordado em sua casa, quando ouviu uma música deliciosa. Soava tão docemente a seus ouvidos que pensou que deviam ser os músicos do Rei que iam passando. Era, na realidade, apenas um pequeno pintarroxo que cantava do lado de fora de sua janela, mas já fazia tanto tempo que ele não ouvia um pássaro cantar em seu jardim que aquela lhe pareceu a mais bela música do mundo. Então o Granizo parou de bailar por cima da cabeça dele, o Vento Norte cessou seu rugido e um delicioso perfume chegou até ele pela janela aberta.
– Creio que chegou por fim a Primavera – disse o Gigante, saltando da cama e olhando para fora.
Que viu ele?
Viu um espetáculo maravilhoso. Por um buraco feito no muro, as crianças tinham entrado no jardim, encarapitando-se nas árvores. Em todas as árvores que conseguia ver achava-se uma criancinha. E as árvores sentiam-se tão contentes por ver as crianças de volta que se haviam coberto de botões e agitavam seus galhos gentilmente por cima das suas cabecinhas. Os pássaros revoluteavam e chilreavam, com deleite, e as flores riam, apontando as cabeças por entre a relva.
Era um belo quadro. Apenas em um canto ainda havia inverno. Era o canto mais afastado do jardim e nele se encontrava um menininho. Era tão pequeno que não podia alcançar os galhos da árvore e vagava ao redor dela, chorando amargamente. A pobre árvore estava ainda coberta de geada e neve e o Vento Norte soprava e rugia por cima dela.
– Sobe, menino! – dizia a Árvore, inclinando seus ramos o mais baixo que podia.
Mas o menino era demasiado pequenino.
E, ao contemplar aquela cena, o coração do Gigante se enterneceu.
– Como tenho sido egoísta – disse. Agora estou sabendo por que a Primavera não vinha pra cá. Vou colocar aquele pobre menininho no alto da árvore e depois derrubarei o muro e meu jardim será para todo o sempre o lugar de brincadeiras das crianças.
Sentia-se deveras muito triste pelo que tinha feito. De modo que desceu as escadas e abriu a porta de entrada bem devagarinho, saindo para o jardim. Mas, quando as crianças o viram, ficaram tão atemorizadas que saíram todas correndo e o jardim voltou a ser como no inverno. Somente o menininho não correu, pois seus olhos estavam tão cheios de lágrimas que não viram o Gigante chegar. E o Gigante deslizou por trás dele, apanhou-o delicadamente com a mão e colocou-o no alto da árvore. E a árvore imediatamente abriu-se em flor e os pássaros chegaram e cantaram nela pousados e o menininho estendeu seus dois braços, cercou com eles o pescoço do Gigante e beijou-o. E as outras crianças, quando viram que o Gigante já não era mau, voltaram correndo e com eles veio também a Primavera.
– O jardim agora é de vocês, criancinhas – disse o Gigante, que pegou uma grande picareta e derrubou o muro. E quando as pessoas iam passando para a feira, ao meio-dia, encontraram o Gigante brincando com as crianças no mais belo jardim que jamais haviam visto.
Brincaram o dia inteiro e à noitinha dirigiram-se ao Gigante para despedir-se.
– Mas onde está o companheirinho de vocês? – perguntou. O menino que eu pus na árvore?
O Gigante gostava mais dele porque o havia beijado.
– Não sabemos – responderam as crianças. Foi-se embora.
– Devem dizer-lhe que não deixe de vir amanhã – disse o Gigante. Mas as crianças responderam-lhe que não sabiam onde ele morava e nunca o tinham visto antes.
E o Gigante sentiu-se muito triste.
Todas as tardes, quando as aulas terminavam, as crianças chegavam para brincar com o Gigante.
Mas o menininho de quem o Gigante gostava nunca mais foi visto de novo. O Gigante mostrava-se muito bondoso para com todas as crianças, mas tinha saudades do seu primeiro amiguinho e muitas vezes a ele se referia.
– Como gostaria de vê-lo! – costumava dizer.
Os anos se passaram e o Gigante foi ficando muito velho e fraco. Não podia mais participar das brincadeiras, de modo que se sentava numa grande cadeira de braços e contemplava a brincadeira das crianças e admirava seu jardim.
– Tenho belas flores em quantidade – dizia ele, mas as crianças são as mais belas flores de todas.
Numa manhã de inverno, olhou de sua janela, enquanto se vestia. Não odiava o Inverno agora, pois sabia que era apenas a Primavera adormecida e que as flores estavam descansando.
De repente, esfregou os olhos, maravilhado, e olhou e tornou a olhar. Era realmente uma visão maravilhosa. No canto mais afastado do jardim via-se uma árvore toda coberta de flores brancas e belas. Seus ramos eram cor de ouro e frutos prateados pendiam deles e por baixo estava o menininho que o conquistara.
O Gigante desceu as escadas correndo, com grande alegria, e saiu para o jardim. Atravessou correndo o gramado e aproximou-se da criança. E quando chegou bem perto dela, seu rosto ficou vermelho de cólera e perguntou.
– Quem ousou ferir-te?
Pois nas palmas das mãos da criança viam-se as marcas de dois cravos e as marcas de dois cravos nos pequeninos pés.
– Quem ousou ferir-te? – gritou o Gigante. Dize-me, para que eu possa tirar minha grande espada e matá-lo.
– Não – respondeu o menino. Estas são as feridas do Amor.
– Quem és? – perguntou o Gigante, sentindo-se tomado dum grande respeito e ajoelhando-se diante do menininho.
E o menino sorriu para o Gigante e disse:
– Tu me deixaste brincar uma vez em teu jardim. Hoje, virás comigo para o meu jardim, que é o Paraíso.
E quando as crianças chegaram correndo naquela tarde, encontraram o Gigante morto debaixo da árvore toda coberta de flores brancas.


quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Sabe onde você encontra o livro da Cigana Contadora de Estórias?





E, em Caruaru, você encontra o meu livro na:
Endereço: R. Duque de Caxias, nº 7, Centro - Caruaru
Telefone:(81) 2103-4888

Ouça a estória "O galo rouco e o rato esperto", da Cigana Contadora de Estórias!

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