Sabe onde você encontra o livro da Cigana?

http://www.livrariacultura.com.br/busca?N=0&Ntt=kopinits https://www.cepe.com.br/lojacepe/index.php/livros/era-uma-vez.html

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Conto: "A menina dos brinquinhos de ouro"


Opa! Já ouviu a estória da menina dos brinquinhos de ouro? Clique aqui e escute a estorinha da Cigana Contadora de Estórias que representou Caruaru no Festival "Storytelling: the heart of culture", do Montalvo Arts Center (Saratoga, California/EUA). 

Essa estória me foi contada há muitos anos por uma linda menininha chamada Cassandra Kopinits e ganhou versão com elementos da estória de Conceição de Oliveira Teles (Histórias da Vovó, Ed. Leitura: 2002).

Segue abaixo uma versão escrita, essa do Site de Dicas.

A menina dos brincos de ouro
Uma mãe, que era muito severa e rude com os filhos, deu de presente a sua filhinha um par de brincos de ouro. E sempre que a menina ia à fonte buscar água e tomar banho,  costumava tirar os brincos e colocá-los em cima de uma pedra.

Um dia ela foi à fonte, tomou banho, encheu o pote e voltou para casa, esquecendo-se dos brincos.
Chegando em casa, deu por falta deles e com medo da mãe brigar com ela e castigá-la, correu à fonte para buscar os brincos. Chegando lá, encontrou um velho muito feio que a agarrou, botou-a nas costas, e a levou consigo.

Então, o velho pegou a menina, meteu ela dentro de um surrão (um saco de couro), coseu o surrão e disse-lhe que ia sair com ela de porta em porta para ganhar a vida e que, quando ele ordenasse, ela cantasse dentro do surrão, senão ele bateria com o bordão (cajado).


E em todo lugar que chegava, botava o surrão no chão e dizia:
"Canta, canta meu surrão, 
Senão te bato com este bordão..."
E o surrão cantava:
"Neste surrão me puseram, 
Neste surrão hei de morrer, 
Por causa de uns brincos de ouro
Que na fonte eu deixei..."
Todo mundo ficava admirado e dava dinheiro ao velho.
Quando foi um dia, ele chegou à casa da mãe da menina, que reconheceu logo a voz da filha. Então convidaram ele para comer e beber e, como já era tarde, insistiram muito com ele para dormir.
De noite, já bêbado, ele ferrou num sono muito pesado.
As moças foram, abriram o surrão e tiraram a menina que já estava muito fraca, quase para morrer. Em lugar da menina, encheram o surrão de excrementos.

No dia seguinte, o velho acordou, pegou no surrão, botou às costas e foi-se embora. Adiante em uma casa, perguntou se queriam ouvir um surrão cantar. Botou o surrão no chão e disse:
"Canta,canta meu surrão, 
Senão te bato com este bordão..."
Nada. O surrão calado. Repetiu ainda. Nada.
Então o velho, furioso, bateu com o cajado no surrão que se arrebentou todo e lhe mostrou a peça que as moças tinham pregado.
Nota: Conto popular no Nordeste do Brasil, especialmente na Bahia e Maranhão. Chegou aqui pelos escravos africanos. No original africano os personagens eram animais.

sábado, 31 de dezembro de 2016

Feliz 2017!!!


Gratidão é o meu sentimento para todos vocês que ajudaram a fazer de 2016 um ano maravilhoso para mim, cheio de grandes conquistas. Deus os abençoe!

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

As estórias da Cigana estarão no UNI, DUNI, TEM Bazar


Neste sábado (17) às 18h, a Cigana Contadora de Estórias, personagem da escritora e jornalista Gabriela Kopinits, estará no “Uni, Duni, Tem Bazar”, 1º bazar infantil de Caruaru, que acontecerá das 10h às 20h no térreo do Shopping Difusora. Gabriela vai contar estórias natalinas e do seu livro infantil “Era uma vez... estórias de uma contadora de estórias” (Cepe, 2014).

Além das estórias da Cigana, também vai haver recreação, apresentações culturais, a visita do Papai Noel, Dia de Princesa para as meninas participantes e a lojinha do 1º Brechó das Mamães Unidas de Caruaru, com venda de peças usadas, em excelente estado, a preços de até 60 reais.

A entrada será um livro infantil, novo ou usado em bom estado, que será doado para a biblioteca que está criada para o Instituto do Câncer Infantil do Agreste – Icia.

Guanabara Comunicação/AscomCâmara

Foto: Victor Vargas

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

A Cigana recomenda: "Tuquinha, La Fontaine e Esopo"


Já imaginou como seria o encontro entre um gaúcho - muy macho Tchê! – e dois dos maiores fabulistas do mundo - o francês Jean de La Fontaine e o colega Esopo? A estória é a seguinte: o gaúcho Tuquinha decidiu escrever uma carta aos dois autores convidando-os a serem seus hóspedes. O convite foi aceito, os estrangeiros chegaram ao Rio Grande do Sul e a visita deles virou – para o leitor - uma deliciosa viagem literária de quinze dias, quinze “tertúlias” ou saraus literários, em que os mestres se alternam na narrativa de suas obras.
A mistura da rica cultura gaúcha – com suas expressões idiomáticas e costumes particulares – e as narrativas em que os animais arremedam os humanos em suas belezas e vilezas, temperada pelas contribuições opiniativas do anfitrião e sua senhora – uma “chinoca” pra lá de peculiar - tornam “Tuquinha, La Fontaine e Esopo” (AGE, 2010) uma obra imperdível para jovens e adultos. O autor é Luiz Morvan Grafulha Corrêa, membro da Associação Gaúcha de Escritores.
Luiz Grafulha também é o autor de “Causos do Tuquinha (2002), “Tuquinha e as Lendas Gauchescas” (2006), “Barbaridade, Tchê” (2007) e “Uma morada para velhos corcéis” (2008), entre outras deliciosas obras. Vale a pena conhecer, a diversão é garantida. À venda nas melhores livrarias :)

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Meu livro será paradidático!


O livro de estórias da Cigana Contadora de Estórias, personagem da escritora Gabriela Kopinits, será adotado como paradidático nas turmas da educação infantil do Colégio Bela Flor Criativa, a partir do próximo ano.  “Era uma vez… estórias de uma contadora de estórias” (Cepe Editora, 2014) traz dez contos infantis ilustrados pelo designer recifense Rivaldo Barboza e foi indicado ao Prêmio Jabuti, em sua versão digital com narração da própria autora, no ano passado.
“Quando conhecemos o livro, foi um desejo nosso trazê-lo para a escola e quando conhecemos a autora, que veio contar suas estórias para nossas crianças, ficamos ainda mais encantados e decidimos adotá-lo como nosso paradidático”, disse a psicopedagoga Fernanda Lima, diretora pedagógica do educandário.  “Foi uma alegria muito grande saber que o meu livro será adotado numa escola que tem uma pedagogia tão especial e uma boa surpresa também, pois geralmente as escolas optam por indicações de livros de autores de fora, das editoras de massa. A Cepe é uma editora pública, que não tem foco primário no comercial, mas na boa produção literária pernambucana. Então, é um motivo de orgulho porque o ‘Era uma vez’ é um livro produzido aqui, de uma autora local”, comentou Gabriela, a Cigana Contadora de Estórias.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Dia das Bruxas com estórias de... bruxas!

Feliz encontro!
Ontem foi Dia das Bruxas e eu comemorei com uma divertidamente assustadora sessão de estórias na Biblioteca Álvaro Lins, do Sesc Caruaru, com as crianças da 1ª série da Escola do Sesc. 

Contei "Sopa de bruxa", de Jeong Hae-Wang; "A bruxa que tinha medo do Halloween", (The witch who was frightened of Halloween) de Bertie, do site Story Nory; e "A casinha laranja" ("The little orange house") de Jean Stangl, uma estorinha que usa a técnica do kirigami. As duas últimas foram traduzidas e adaptadas por mim. Foi muito legal 

Feliz partida e feliz reencontro!





domingo, 30 de outubro de 2016

Crônica: "Lixo", de Luís Fernando Veríssimo

Dei de cara com essa deliciosa crônica do Luís Fernando Veríssimo no livro "Festa de Criança", da coleção 'Para gostar de ler' júnior - da Editora Ática, com ilustrações de Caulos. O livro é uma coletânea de textos do Veríssimo e esse, do "Lixo", me conquistou. Leia e se divirta também!
O autor, em registro do site Papo de Cinema


Lixo

Encontram-se na área de serviço. Cada um com seu pacote de lixo. É a primeira vez que se falam.

- Bom dia...
- Bom dia.
- A senhora é do 610.
- E o senhor do 612
- É.
- Eu ainda não lhe conhecia pessoalmente...

- Pois é...
- Desculpe a minha indiscrição, mas tenho visto o seu lixo...
- O meu quê?
- O seu lixo.
- Ah...
- Reparei que nunca é muito. Sua família deve ser pequena...
- Na verdade sou só eu.
- Mmmm. Notei também que o senhor usa muito comida em lata.
- É que eu tenho que fazer minha própria comida. E como não sei cozinhar...
- Entendo.
- A senhora também...
- Me chame de você.
- Você também perdoe a minha indiscrição, mas tenho visto alguns restos de comida em seu lixo. Champignons, coisas assim...
- É que eu gosto muito de cozinhar. Fazer pratos diferentes. Mas, como moro sozinha, às vezes sobra...
- A senhora... Você não tem família?
- Tenho, mas não aqui.
- No Espírito Santo.
- Como é que você sabe?
- Vejo uns envelopes no seu lixo. Do Espírito Santo.
- É. Mamãe escreve todas as semanas.
- Ela é professora?
- Isso é incrível! Como foi que você adivinhou?
- Pela letra no envelope. Achei que era letra de professora.
- O senhor não recebe muitas cartas. A julgar pelo seu lixo.
- Pois é...
- No outro dia tinha um envelope de telegrama amassado.
- É.
- Más notícias?
- Meu pai. Morreu.
- Sinto muito.
- Ele já estava bem velhinho. Lá no Sul. Há tempos não nos víamos.
- Foi por isso que você recomeçou a fumar?
- Como é que você sabe?
- De um dia para o outro começaram a aparecer carteiras de cigarro amassadas no seu lixo.
- É verdade. Mas consegui parar outra vez.
- Eu, graças a Deus, nunca fumei.
- Eu sei. Mas tenho visto uns vidrinhos de comprimido no seu lixo...
- Tranquüilizantes. Foi uma fase. Já passou.
- Você brigou com o namorado, certo?
- Isso você também descobriu no lixo?
- Primeiro o buquê de flores, com o cartãozinho, jogado fora. Depois, muito lenço de papel.
- É, chorei bastante, mas já passou.
- Mas hoje ainda tem uns lencinhos...
- É que eu estou com um pouco de coriza.
- Ah.
- Vejo muita revista de palavras cruzadas no seu lixo.
- É. Sim. Bem. Eu fico muito em casa. Não saio muito. Sabe como é.
- Namorada?
- Não.
- Mas há uns dias tinha uma fotografia de mulher no seu lixo. Até bonitinha.
- Eu estava limpando umas gavetas. Coisa antiga.
- Você não rasgou a fotografia. Isso significa que, no fundo, você quer que ela volte.
- Você já está analisando o meu lixo!
- Não posso negar que o seu lixo me interessou.
- Engraçado. Quando examinei o seu lixo, decidi que gostaria de conhecê-la. Acho que foi a poesia.
- Não! Você viu meus poemas?
- Vi e gostei muito.
- Mas são muito ruins!
- Se você achasse eles ruins mesmo, teria rasgado. Eles só estavam dobrados.
- Se eu soubesse que você ia ler...
- Só não fiquei com eles porque, afinal, estaria roubando. Se bem que, não sei: o lixo da pessoa ainda é propriedade dela?
- Acho que não. Lixo é domínio público.
- Você tem razão. Através do lixo, o particular se torna público. O que sobra da nossa vida privada se integra com a sobra dos outros. O lixo é comunitário. É a nossa parte mais social. Será isso?
- Bom, aí você já está indo fundo demais no lixo. Acho que...
- Ontem, no seu lixo...
- O quê?
- Me enganei, ou eram cascas de camarão?
- Acertou. Comprei uns camarões graúdos e descasquei.
- Eu adoro camarão.
- Descasquei, mas ainda não comi. Quem sabe a gente pode...
- Jantar juntos?
- É.
- Não quero dar trabalho.
- Trabalho nenhum.
- Vai sujar a sua cozinha?
- Nada. Num instante se limpa tudo e põe os restos fora.- No seu lixo ou no meu?

Ouça a estória "O galo rouco e o rato esperto", da Cigana Contadora de Estórias!

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Apresentações de contadores de estórias

Palavra Cantada - O rato
Clara Haddad - O coelho e o baobá

Cia Ópera na Mala - A sopa de pedras do Pedro

Cia Ópera na Mala - Pedro Malazartes e o pássaro raro

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