segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Conto: Um presente mágico (estória com origami e kirigami)

Tela de Eduardo Lima
 Era uma vez um menino que tinha um pai que só vivia trabalhando, sem muito tempo para ele. Chegou o dia do seu aniversário e o presente que ele mais queria era uma camiseta nova, mas o pai – como sempre – havia esquecido da data e do presente e resolveu dar ao filho o dinheiro para ele mesmo comprar (Pega uma folha de papel, de preferência verde, da cor do dinheiro, e dobra, como se fosse uma cédula)
Então, o menino foi andando para a loja, no centro da cidade.
Estava muito quente e ele pensou que seria bom se tivesse um chapéu para proteger sua cabeça. Então o menino teve uma ideia: pegou a cédula que seu pai tinha lhe dado e dobrou, fazendo um chapeuzinho perfeito para o seu tamanho (Faz o origami do chapeuzinho de soldado, que todos aprendemos em criança).
Logo mais à frente, ele se deparou com um rio e achou que seria muito bom refrescar os pés ali. A água estava tão gostosa que o menino decidiu brincar um pouco e teve uma ideia: pegou o chapéu feito com a cédula e o transformou em um barquinho. (Do chapéu, faz as dobras para transformá-lo em barquinho).
Tela de Eduardo Lima
Depois de brincar bastante, o menino se lembrou do seu presente, então saiu do rio e se secou, carregando o barquinho de papel na mão. Chegando na cidade, ele foi direto à loja comprar sua camiseta nova. Escolheu a que mais gostou e foi pagar com o dinheiro que seu pai tinha lhe dado – agora transformado em barquinho.
A vendedora não quis aceitar. Disse que o dinheiro estava todo molhado e amassado. O menino ficou triste, ainda insistiu, o dinheiro ia secar, era só esperar um pouquinho, mas nada feito. A vendedora não aceitou mesmo.
Chorando muito, desapontado, ele saiu da loja e foi andando de volta para casa. No meio do caminho apareceu uma linda moça – uma fada, com certeza – que lhe perguntou porque estava tão triste. O menino contou que era seu aniversário e ele queria uma camiseta nova. Seu pai havia lhe dado o dinheiro e... bem, ele contou tudo que havia acontecido, do calor, do chapéu, do rio e do barquinho. Contou também da vendedora que não aceitou o dinheiro porque estava molhado e amassado.
- Eu queria tanto uma camiseta nova! – lamentou o pequeno.

A fada olhou para ele e sorriu.

- Posso dar um jeito nisso. Dê-me o seu barquinho – pediu ela.

O menino estendeu-lhe o barquinho de dinheiro e viu, espantado, quando ela lhe rasgou as pontas e a chaminé (entra aqui o kirigami, com o corte na vertical das duas pontas diagonais do barco e o corte em meia-lua da chaminé do barco). Agora era que o dinheiro não ia prestar para mais nada mesmo, rasgado como estava, pensou ele.

Mas a fada tinha uma surpresa para o pequeno. Fez uma mágica e... transformou o barquinho em uma linda camiseta! (desdobra o papel e, voilà! Magicamente aparece uma perfeita camisetinha). O menino ficou feliz da vida, agradeceu à fada pelo presente e voltou correndo para casa para mostrar sua camiseta nova ao pai.

As imagens são do artista plástico Eduardo Lima.


sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Origami na Hora do Conto da Biblioteca Álvaro Lins

Opa!
Foi mega massa ontem a Hora do Conto da Biblioteca Álvaro Lins, do Sesc Caruaru. O tema foi "origami" e a turma foi os alunos da 5ª série da escola do Sesc, da Profª Samantha.

Comecei explicando o que é o origami, onde surgiu e algumas das principais formas - tartaruga, sapo, cegonha e tsuru (garça). Para falar mais do tsuru, contei a história de Sadako Sasaki, que transcrevo aqui do blog Tsuru Mágico
"Sadako nasceu em Hiroshima e tinha apenas dois anos de idade quando os americanos lançaram a bomba atômica sobre a cidade. Ela vivia distante do epicentro da bomba e juntamente com a mãe e o irmão, saiu ilesa do ataque. Mas consta que durante a fuga, eles foram encharcados pela chuva negra (radioativa) que caiu sobre Hiroshima ao longo daquele dia fatídico.
Retomando suas vidas após o término da guerra, Sadako e sua família viviam normalmente e ela era uma garota aparentemente saudável até completar doze anos de idade. Em janeiro de 1955, durante uma aula de educação física, Sadako, que adorava corridas, sentiu-se mal, com tonturas.
Os dias se passaram e novamente o mal estar fez com que ela caísse no chão, sem sentidos. Socorrida e levada a um hospital, depois de alguns dias surgiram marcas escuras em seu corpo e o diagnóstico foi de leucemia, doença que já estava matando outras crianças expostas à bomba. Na época a leucemia era até chamada de "doença da bomba atômica". Ela foi internada em fevereiro de 1955, recebendo a previsão de sobrevida de apenas 1 ano.
Em agosto desse mesmo ano, sua melhor amiga, Chizuko Hamamoto foi visitá-la no hospital. Chizuko fez uma dobradura de tsuru e presenteou Sadako, contando-lhe a lenda dos mil tsurus de origami.
Sadako decidiu fazer os mil tsurus, desejando a sua recuperação. Mas a doença avançava rapidamente e Sadako cada vez mais debilitada, prosseguia dobrando lentamente os pássaros, sem mostrar-se zangada e sem entregar-se.
Em dado momento Sadako compreendeu que sua doença era fruto da guerra e mais do que desejar apenas a sua própria cura, ela desejou a paz para toda a humanidade, para que nenhuma criança mais sofresse pelas guerras.
Ela disse sobre os tsurus: "Eu escreverei PAZ em suas asas e você voará o mundo inteiro".
Estátua de Sadako em Hiroshima
Por fim, na manhã de 25 de outubro de 1955, Sadako montou seu último tsuru e faleceu, amparada por sua família. Ela não conseguira completar os mil origamis, fizera 644. Mas seu exemplo tocou profundamente seus colegas de classe e estes dobraram os tsurus que faltavam para que fossem enterrados com ela.
Tristes e sensibilizados, os colegas decidiram fazer algo por Sadako e por tantas outras crianças. Formaram uma associação e iniciaram uma campanha para construir um monumento em memória à Sadako e à todas as crianças mortas e feridas pela guerra. Com doações de alunos de cerca de 3100 escolas japonesas e de mais nove países, em 1958, foi erguido em Hiroshima o MONUMENTO DAS CRIANÇAS À PAZ, também conhecido como Torre dos Tsurus, no Parque da Paz."
As crianças ficaram emocionadas com a história e perguntaram se era verdadeira mesma. Quando mostrei a foto da delicada Sadako, eles se encantaram. Depois contei outra estória (esta, de mentirinha), utilizando o kirigami (arte em papel com recorte), que depois partilho com vocês e que me foi contada por uma amiga jornalista, a Catiane Damas. Eles adoraram e quiseram saber se esta também tinha acontecido. Foi muito bom ver crianças se encantando com estórias mágicas e acreditarem que elas possam ter mesmo acontecido. Agradeço a Papai do Céu por isso!
Depois da pequena aula sobre origami e as estórias, foi a vez da nossa oficina. Ensinei-os a fazer um beija-flor. Muitos se perderam, outros se enrolaram e perderam a paciência, mas não deixei ninguém desistir. Ao final, vejam só a carinha de orgulho deles por terem conseguido!
Deus é bom! Obrigada aos apoiadores da biblioteca, Mario Fernandes Moacir Silva!




Fotos por Victoria e Lucas Vargas

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

O misterioso caso dos rabos trocados

Há muito tempo atrás, havia uma rainha que gostava de banana. Mas o legal dessa rainha não era nem isso. Até eu gosto de banana - e muito. O interessante dessa rainha é que ela tinha uma onça de estimação!
Eu nunca havia visto uma coisa dessa. Já vi gente criando tudo quanto é tipo de bicho - cachorro, gato, passarinho e até galinha. 
Mas onça, nunca. E sabe do que mais? A onça dela tinha pintinhas cor-de-rosa! Bem, e um rabo de macaco... Sério! 

E nesse mesmo reino, lá na mata havia um macaco que.... acertou! Tinha rabo de onça!

Epa! Que mistério é esse? O que foi que aconteceu para os dois bichinhos terem rabos trocados? E como eles fizeram para resolver essa bagunça?
Para saber de tudo, não perca "O misterioso caso dos rabos trocados", da escritora Gabriela Kopinits, no livro "Era uma vez... estórias de uma contadora de estórias". Ilustrado por Rivaldo Barboza e publicado pela Cepe Editora, o livro tem dez estorinhas e está à venda nas melhores livrarias e na loja virtual da editora -https://www.cepe.com.br/lojace…/index.php/…/era-uma-vez.html.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Politica Nacional de Leitura e Escrita


Sabia que há um projeto de lei tramitando no Senado Federal para a instituição da Política Nacional de Leitura e Escrita? A autora é a senadora Fátima Bezerra, do PT/RN, pedagoga por formação. 
O projeto, de nº 212/2016, tem o objetivo de criar "estratégia permanente para promover o livro, a leitura, a escrita, a literatura e as bibliotecas de acesso público no Brasil, a ser implementada pela União, em cooperação com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios e com a participação da sociedade civil e de instituições privadas".
Ele está tramitando na Comissão de Educação, Cultura e Esporte, com relatoria do senador Paulo Paim, e admite opiniões.
Tire um tempinho da sua rotina e leia o texto do PL, é curtinho - são apenas 8 páginas. Ajude-nos a criar uma política que efetivamente promova a leitura e a escrita em nosso país!
Se gostar do projeto, dê seu voto clicando aqui.
Segue o texto da propositura:


SENADO FEDERAL

PROJETO DE LEI DO SENADO
Nº 212, DE 2016

Institui a Política Nacional de Leitura e Escrita.

Art. 1º Fica instituída a Política Nacional de Leitura e Escrita como estratégia permanente para promover o livro, a leitura, a escrita, a literatura e as bibliotecas de acesso público no Brasil.
Parágrafo único. A Política Nacional de Leitura e Escrita será implementada pela União, por intermédio do Ministério da Cultura e do Ministério da Educação, em cooperação com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios e com a participação da sociedade civil e de instituições privadas.

Art. 2º São diretrizes da Política Nacional de Leitura e Escrita:
I – a universalização do direito ao acesso ao livro, à leitura, à escrita, à literatura e às bibliotecas;
II – o reconhecimento da leitura e da escrita como um direito, possibilitando a todos, inclusive por meio de políticas afirmativas, as condições de exercer plenamente a cidadania, viver uma vida digna e contribuir na construção de uma sociedade mais justa;
III – o fortalecimento do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas, no âmbito do Sistema Nacional de Cultura;
IV – a articulação com as demais políticas de estímulo à leitura, ao conhecimento, às tecnologias e ao desenvolvimento educacional, cultural e social do país, especialmente com a Política Nacional do Livro, instituída pela Lei nº 10.753, de 30 de outubro de 2003; e
V – o reconhecimento da cadeia criativa, produtiva, distributiva e mediadora do livro, da escrita, da leitura e das bibliotecas como integrantes fundamentais e dinamizadoras da economia criativa.

Parágrafo único. A Política Nacional de Leitura e Escrita observará, no que couber, princípios e diretrizes de planos nacionais estruturantes, especialmente do:
I – Plano Nacional da Educação;
II – Plano Nacional de Cultura; e
III – Plano Plurianual da União - PPA.

Art. 3º São objetivos da Política Nacional de Leitura e Escrita:
I – democratizar o acesso ao livro e aos diversos suportes da leitura por meio de bibliotecas de acesso público, dentre outros espaços de incentivo à leitura, de forma a ampliar os acervos físicos e digitais e as condições de acessibilidade;
II – fomentar a formação de mediadores de leitura e fortalecer ações de estímulo à leitura, por meio da formação continuada em práticas de leitura para professores, bibliotecários, agentes de leitura, dentre outros agentes educativos, culturais e sociais;
III – valorizar a leitura e o incremento de seu valor simbólico e institucional por meio de campanhas, premiações e eventos de difusão cultural do livro, da leitura, da literatura e bibliotecas;
IV – desenvolver a economia do livro como estímulo à produção intelectual e ao fortalecimento da economia nacional por meio de ações de incentivo para o mercado editorial, livreiro, feiras de livros e eventos literários, de aquisição de acervos físicos e digitais para bibliotecas de acesso público;
V – promover a literatura e as humanidades e o fomento aos processos de criação, formação, pesquisa, difusão e intercâmbio literário e acadêmico em território nacional e no exterior, para autores e escritores, por meio de prêmios, intercâmbios e bolsas, dentre outros mecanismos;
VI – fortalecer institucionalmente as bibliotecas de acesso público, com qualificação de espaços, acervos, mobiliários, equipamentos, programação cultural, atividades pedagógicas, extensão comunitária, incentivo à leitura, capacitação de pessoal, digitalização de acervos, empréstimos digitais, dentre outras ações;
VII – fomentar pesquisas, estudos e indicadores nas áreas do livro, leitura, escrita, literatura, bibliotecas com vistas a fomentar a produção de conhecimento e de estatísticas como instrumentos de avaliação e qualificação das políticas públicas do setor;
VIII – promover a formação profissional no âmbito das cadeias criativa e produtiva do livro e mediadora da leitura, por meio de ações de qualificação e capacitação sistemáticas e contínuas;
IX – incentivar a criação e implantação de planos estaduais e municipais do livro e da leitura, em fortalecimento ao Sistema Nacional de Cultura; e 
X – incentivar a expansão das capacidades de criação cultural e de compreensão leitora por meio do fortalecimento de ações educativas e culturais focadas no desenvolvimento das competências de produção e interpretação de textos.

Art. 4º Para consecução dos objetivos da Política Nacional de Leitura e Escrita será elaborado, a cada quadriênio, o Plano Nacional do Livro e Leitura – PNLL, que estabelecerá metas e ações, nos termos do regulamento.
§ 1º O PNLL será elaborado até o fim do primeiro ano de mandato do Chefe do Poder Executivo, com vigência para o quadriênio conseguinte.
§ 2º O PNLL será elaborado em conjunto pelo Ministério da Cultura e o Ministério da Educação de forma participativa, assegurada a manifestação do Conselho Nacional da Educação, do Conselho Nacional de Políticas Culturais, de representantes de secretarias estaduais e municipais de cultura e de educação, da sociedade civil e do setor privado.
§ 3º O PNLL deverá viabilizar a inclusão de pessoas com deficiência, observadas as condições de acessibilidade e o disposto nos acordos, convenções e tratados internacionais que visem a facilitar o acesso de pessoas com deficiência a obras literárias.

Art. 5º O Prêmio VIVALEITURA será concedido no âmbito da Política Nacional de Leitura com o objetivo de estimular, fomentar e reconhecer as melhores experiências que promovam o livro, a leitura, a escrita, a literatura e as bibliotecas, nos termos do regulamento.

Art. 6º Ato conjunto do Ministério da Cultura e do Ministério da Educação regulamentará o disposto nesta Lei.

Art. 7º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

JUSTIFICAÇÃO

A leitura, a escrita e a literatura são elementos indissociáveis e fundamentais para o desenvolvimento humano. Por meio da leitura e da escrita, homens e mulheres são capazes de criar uma nação que compreende seus desafios e busca soluções para a construção de um país justo, sustentável e democrático. A leitura e a escrita é, em todos os sentidos, um dos vetores mais importantes para a inclusão social, econômica, educacional e cultural dos cidadãos de um país, entre outras razões, por ser requisito básico em incontáveis e indispensáveis operações cotidianas, das mais simples às mais complexas.
Nesses termos, a experiência da leitura é uma prática social e cultural de apropriação, interpretação e criação de sentidos/significados do mundo e da vida em sociedade que deve ser compreendida como um direito que permite o exercício pleno da democracia e da construção da cidadania.
Além disso, por serem absolutamente transversais, os impactos positivos e duradouros da leitura e da escrita são encontrados em praticamente todas as dimensões relevantes da vida individual e coletiva. Com leitura são formados cidadãos mais críticos, autônomos e mais bem qualificados; são construídas organizações e instituições – públicas ou privadas e do terceiro setor – mais eficientes, eficazes, inovadoras e responsáveis; enfim, consolidam-se comunidades, bairros, cidades e sociedades mais justas, solidárias e autônomas. Neste sentido, o letramento pleno, a leitura e a escrita, estão inescapavelmente no centro da agenda do desenvolvimento das nações, especialmente no Brasil em sua acertada luta contra as desigualdades. A leitura é a chave mestra para a mobilidade social e o desenvolvimento pleno. Um país sem miséria, uma Pátria Educadora, se afirma com uma política pública de leitura plena, mobilizadora, inclusiva, que possibilita a democratização das oportunidades de modo duradouro em nosso país. A leitura e a escrita, assim proclamam os militantes do livro, da leitura, da literatura e das bibliotecas, é a chave de todos os direitos humanos na sociedade contemporânea, reconhecida como a da informação e conhecimento.
Os últimos 13 anos foram marcados por sucessivos avanços na política pública do livro, leitura, literatura e bibliotecas em nosso país. Neste período, tivemos a primeira formalização da Política Nacional do Livro, consubstanciada na Lei do Livro, Lei no 10.753, de 30 de outubro de 2003, que estabelece diretrizes para esta política.
A partir dos movimentos deflagrados para a aprovação da Lei do Livro, o Brasil conquistou mais um importante avanço no processo de institucionalização de sua política de livro e leitura. Podemos afirmar que a partir de 2003 um novo e consistente processo de construção pública de conceitos, objetivos e metas estratégicas para transformar o Brasil em um país de leitores, floresceu. E o desenvolvimento deste período marcado por centenas de debates entre o poder público e a sociedade civil desembocou em 2006 no Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL). Este processo envolveu acúmulos em diversas frentes.
O PNLL traduz o aprendizado e o acúmulo conceitual e prático de experiências históricas no campo do desenvolvimento do livro, leitura, literatura e bibliotecas no Brasil, que nos remontam às primeiras iniciativas editoriais no país, bem como à criação e extinção do Instituto Nacional do Livro – INL. A participação ativa de lideranças tão expressivas como Monteiro Lobato, Mário de Andrade, Augusto Meyer, Paulo Freire e Affonso Romano Sant’Anna são referências para a construção de programas, ações e instituições vitais para a leitura em nosso país. Cumpre nomear algumas das diversas iniciativas que embasaram o Plano: o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), o Programa Nacional da Biblioteca Escolar (PNBE), o fórum da Câmara Setorial do Livro, Leitura e Literatura, o Projeto Fome de Livro (iniciativa do MEC/Biblioteca Nacional), o Programa Nacional do Livro no Ensino Médio (PNLEM), o Programa de Formação do Aluno e do Professor Leitor e o Vivaleitura – Ano Ibero-americano da Leitura (2005). Merece especial ênfase, também, a contribuição oferecida pelo Programa Nacional de Incentivo à Leitura (PROLER) que, ao agregar experiências de projetos de fomento à leitura de todo o país, e por sua ativa promoção de oficinas, cursos, palestras e eventos artístico-culturais que forneceu importantes subsídios para o debate em questão. Nesse mesmo contexto de iniciativas que embasaram o Plano, o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP) tem um papel fundamental no que tange à meta de implantação e modernização de bibliotecas públicas nos municípios brasileiros.
No front internacional, o PNLL se baseou nos objetivos acordados pelos chefes de Estado Ibero-americanos, que aprovaram em 2003, durante o XIII Cumbre Iberoamericano em Santa Cruz de La Sierra, a proposta apresentada pelo Centro Regional para o Fomento ao Livro e à Leitura (Cerlalc/UNESCO) e da Organização dos Estados Iberoamericanos (OEI) para que o ano de 2005 se constituísse no Ano Ibero-Americano da Leitura – VIVALEITURA. Os objetivos do VIVALEITURA tinham um eixo comum, que se impôs como meta permanente para todos os seus países: a democratização do acesso à leitura; a construção de uma resposta altiva por parte das nações ibero-americanas ao direito fundamental de ler e escrever. Hoje, o Plano Nacional do Livro e Leitura do Brasil compõe a Rede Regional de Responsáveis de Políticas e Planos Nacionais de Leitura – Redplanes, coordenada pelo Cerlalc/UNESCO.
O Plano Nacional do Livro e Leitura é um genuíno “pacto social” no Brasil, resultado de iniciativas de organizações da sociedade civil e de cidadãos envolvidos na cadeia criativa, produtiva, distributiva e mediadora da leitura, além de ter recebido contribuições oriundas de planos e iniciativas promovidas por governos estaduais e municipais. Assim, desde iniciativas individuais – que convertem automóveis, bicicletas, barcos ou jegues em meios de transporte para minibibliotecas itinerantes – passando por experiências da sociedade civil em espaços e contextos diversos – praças, parques, estações, hospitais, presídios, centros comunitários e culturais – e em áreas urbanas e rurais de vulnerabilidade social que são convertidas em ambientes favoráveis para o acesso ao livro e a formação de leitores. Nessa mesma lógica, gestores e dirigentes públicos no campo da cultura e da educação vêm desenvolvendo planos estaduais e municipais que tiveram ousadia de instalar a agenda como pauta prioritária em seus programas de desenvolvimento. O PNLL é o fruto dessa sabedoria e desta militância coletiva, enraizada nos mais diferentes territórios do país, em defesa dos benefícios civilizados, coletivos e individuais associados à leitura, à escrita, à literatura, ao livro e às bibliotecas.
Além de contar com este compromisso internacional e com o suporte de muitas experiências históricas da luta pela leitura no Brasil, o Plano Nacional do Livro e Leitura também é o resultado do firme compromisso do Governo brasileiro com a construção participativa de políticas públicas. Deste modo, sob a coordenação dos Ministérios da Cultura e da Educação, foram realizadas mais de 150 reuniões públicas em todo o País entre os anos de 2005 e 2006 com o intuito de construir o PNLL. Participaram ativamente deste debate educadores, bibliotecários, artistas, lideranças empresariais dos setores público e privado, representantes sindicais, representantes de toda a cadeia produtiva do livro – entre escritores, editores, livreiros, distribuidores, gráficas, fabricantes de papel, administradores e outros profissionais do livro -, parlamentares, dirigentes e gestores públicos federais, estaduais e municipais, representantes de universidades e de instituições de ensino, membros do Ministério Público, especialistas em livro e leitura, estudantes, representantes comunitários, representantes de portadores de deficiências, de movimentos sociais e de organizações da sociedade civil, regiões do país que aportaram suas contribuições e suas convicções para a construção desde Plano, e que o transformam numa base das mais belas experiências de construção democrática e participativa de uma política pública em nosso país.
O Plano Nacional do Livro e Leitura teve a sua primeira institucionalização oficializada pela Portaria Interministerial no 1.442, de 10 de agosto de 2006, editada conjuntamente pelos Ministérios da Cultura e da Educação. Posteriormente, o PNLL passou a ser regido pelo Decreto no 7.559, de 1o de setembro de 2011. As mencionadas regulamentações referendaram a organização do PNLL com base em quatro eixos: I. a democratização do acesso ao livro; II. a formação de mediadores para o incentivo à leitura; III. A valorização da leitura e comunicação (que foi redefinido como a “Valorização institucional da leitura e o incremento de seu valor simbólico” a partir da revisão do Plano, ocorrida em 2010); e IV. O desenvolvimento da economia do livro como estímulo à produção intelectual e ao desenvolvimento da economia nacional. Além de ter definido dezoito linhas de ação associadas aos mencionados eixos e uma série consistente de princípios norteadores que fundamentam o Plano. Entretanto, propomos a institucionalização de uma política vitoriosa, avançando no que se faz necessário, por meio do presente Projeto de Lei do Senado. Com a instituição da Política Nacional de Leitura e Escrita – PNLE, e o reconhecimento do PNLL como ação de governo integrante e necessária desta política de alcance nacional, dá-se mais um passo decisivo para a consolidação dos objetivos já praticados no PNLL como uma política pública do Estado brasileiro, fundado em critérios e procedimentos republicanos, construído e implementado de modo participativo, colaborativo e federativo, com vistas a garantir organicidade e sinergia entre as iniciativas das organizações da sociedade civil, dos governos federal, estaduais e municipais, das empresas públicas e privadas e de voluntários em geral.
Este Projeto de Lei tem como uma das suas principais orientações garantir as bases institucionais para aperfeiçoar a implementação das políticas, programas e iniciativas conduzidas por diferentes atores, sempre orientando-se pela necessária parceria, complementaridade e sinergia entre as iniciativas e seus responsáveis.
Deste modo, o arranjo federativo foi priorizado para consolidarmos as bases institucionais de formulação e implementação da Política Nacional de Leitura e Escrita baseada na experiência e operacionalidade apresentada pelo PNLL: exigência que um PNLL seja criado a cada período presidencial subordinado aos ditames da PNLE; estímulos para a geração de Planos Estaduais e Municipais do Livro e da Leitura articulados com o Plano Nacional, assim como para a configuração de equipes, a dotação de orçamentos e de unidades gestoras municipais e estaduais para o setor. No mesmo sentido, este PL também reforça as responsabilidades do governo federal por seus dois ministérios mais diretamente envolvidos com a agenda.
Para dar suporte ao Plano, este PL estimula que municípios, estados, governo federal, além de empresas públicas e privadas e instituições do terceiro setor explicitem orçamentos compatíveis com o financiamento continuado e sinérgico do conjunto de iniciativas previstas no PNLL.
A PNLE reconhece que a universalização da alfabetização plena e das práticas leitoras é uma tarefa comum para gestores públicos, privados e para a sociedade civil em todo o território nacional. Deste modo, o modelo de governança dos PNLL, a serem instituídos a cada quadriênio presidencial conforme determina a PNLE neste PL inova em relação aos modelos de governança previstos nos instrumentos normativos anteriores também por ampliar a participação dos diferentes atores e segmentos sociais envolvidos em sua formulação, implementação e avaliação. Os PNLL serão uma agenda de interesse coletivo e os seus modelos de governança e de gestão devem expressar esta multiplicidade de atores responsáveis por sua elaboração e execução.
Este PL configura, enfim, as bases institucionais para superarmos o caráter descontinuado e pulverizado com que as iniciativas de estímulo à leitura têm sido historicamente implementadas em nosso país. Assim sendo, a Política Nacional da Leitura e Escrita passa a ser a referência para que avancemos ainda mais, sendo o fundamento para a superação de outros importantes desafios, como a criação e operacionalização de recursos financeiros para fomentar os programas derivados e a configuração de instituições nos estados e municípios compatíveis com a agenda aberta por esta política de Estado. São desafios a serem superados no caminho para a universalização do acesso à leitura plena em nosso país.
Sala das Sessões, de maio de 2016.
FÁTIMA BEZERRA
Senadora da República (PT – RN)
Senadora FÁTIMA BEZERRA

LEGISLAÇÃO CITADA
Decreto nº 7.559, de 1º de Setembro de 2011 - 7559/11
Lei nº 10.753, de 30 de Outubro de 2003 - 10753/03
(À Comissão de Educação, Cultura e Esporte, em decisão terminativa)

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Estórias com origami

Opa! Esta semana terei um desafio a enfrentar: contar estórias usando origami. Pouco conheço desta arte, embora a admire muito. Pesquisando por aí achei um blog bem interessante, de uma jornalista chamada Eva Duarte. Nele, a Eva fala de uma experiência que teve com um texto do Mário Quintana, que tomo a liberdade de reproduzir aqui, com a mesma ilustração que ela usou.

"Velha história
Era uma vez um homem que estava pescando, Maria. 
Até que apanhou um peixinho. 
Mas o peixinho era tão pequenininho e inocente, 
e tinha um azulado tão indescritível nas escamas,
que o homem ficou com pena.
E retirou cuidadosamente o anzol 
e pincelou com iodo a garganta do coitadinho. 
Depois guardou-o no bolso traseiro das calças, 
para que o peixinho sarasse no quente. 
E desde então ficaram inseparáveis.

Aonde o homem ia, 
o peixinho acompanhava, 
a trote, 
que nem um cachorrinho. 
Pelas calçadas. 
Pelos elevadores. 
Pelos cafés.
Como era tocante vê-los no “17”! – o homem, grave, de preto, com uma das mãos segurando a xícara fumegante de moca, 
com a outra lendo jornal, 
com a outra fumando, 
com a outra cuidando do peixinho, 
enquanto este, silencioso e levemente melancólico, tomava uma laranjada por um canudinho especial ...

Ora, um dia o homem e o peixinho passeavam à margem do rio onde o segundo dos dois fora pescado. 
E eis que os olhos do primeiro se encheram de lágrimas. 
E disse o homem ao peixinho:
- Não, não me assiste o direito de te guardar comigo. Por que roubar-te mais tempo ao carinho do teu pai, da tua mãe, dos teus irmãozinhos, da tua tia solteira? Não, não e não! Volta para o seio da tua família. E viva eu cá na terra sempre triste ...

Dito isso, 
verteu copioso pranto e, 
desviando o rosto, 
atirou o peixinho na água. 
E a água fez um redemoinho, 
que depois foi serenando, serenando... 
até que o peixinho morreu afogado."

Imagino só a carinha das crianças fazendo as dobraduras :)

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Boas conquistas da educação

José Xavier Cortez - fundador da Cortez Editora - Foto: Divulgação
“O analfabetismo e a falta de cultura são piores que uma doença, uma peste. É preciso ler para os filhos. Mais tarde, é preciso ler para os pais”.
Essa frase é de seu José Xavier Cortez, nascido nas proximidades dum sítio próximo a Currais Novos, no Rio Grande do Norte, em 1936, em uma família de agricultores pobres, num lugar onde boa parte da população não sabe ler nem escrever. Todos os dias andava seis quilômetros para ir estudar. Saiu de casa aos 17 anos em busca de um mundo mais amplo, de maiores possibilidades. E conseguiu. Foi marinheiro, guardador de carros, manobrista e livreiro. E foi exatamente através deles - os livros – que se formou economista, escreveu teses e fundou há quase 40 anos a Cortez Editora.
Eu já conhecia a Cortez das feiras de livro onde sempre vou, mas não conhecia a história do seu fundador. Li na matéria da repórter Larissa Lins, com foto de Julio Jacobina, no Diário de Pernambuco de hoje. Que beleza de exemplo!

Também hoje li em extensa matéria no DP – inclusive com publicidade institucional do governo do Estado – sobre a conquista de Pernambuco na educação, que hoje tem o melhor ensino médio do país. A informação veio do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica – Ideb, divulgado a cada dois anos e considerado o principal indicador da educação no Brasil. Em 2013, Pernambuco estava na quarta posição.
Outro importante dado que a pesquisa apontou foi que Pernambuco também diminuiu a distorção idade-ano e a taxa de abandono escolar. O governador Paulo Câmara atribuiu os resultados – excelentes e animadores, sem dúvida – a “um trabalho consistente da Secretaria de Educação, dos estudantes e suas famílias”, além da rede de escolas em tempo integral, das 300 Escolas de Referência em Ensino Médio (Erem) e as 35 Escolas Técnicas em funcionamento.
Eu também creditaria isso aos professores e demais trabalhadores em Educação. Nenhuma conquista acontece sozinha. Portanto, faço questão de registrar aqui os meus calorosos parabéns a todos que trabalharam – e continuam trabalhando por uma educação de qualidade, principalmente na rede pública, a despeito de todas as dificuldades que têm que enfrentar todo santo dia em sala de aula e fora dela. O desafio agora é estender esse trabalho para os municípios. Mas, como diria o mestre Gilberto Gil, “andar com fé eu vou, que a fé não costuma faiá”...

Entrevista da Cigana Contadora de Estórias - Dia Mundial da Alfabetização

Ouça a estória "O galo rouco e o rato esperto", da Cigana Contadora de Estórias!

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