segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Estórias com origami

Opa! Esta semana terei um desafio a enfrentar: contar estórias usando origami. Pouco conheço desta arte, embora a admire muito. Pesquisando por aí achei um blog bem interessante, de uma jornalista chamada Eva Duarte. Nele, a Eva fala de uma experiência que teve com um texto do Mário Quintana, que tomo a liberdade de reproduzir aqui, com a mesma ilustração que ela usou.

"Velha história
Era uma vez um homem que estava pescando, Maria. 
Até que apanhou um peixinho. 
Mas o peixinho era tão pequenininho e inocente, 
e tinha um azulado tão indescritível nas escamas,
que o homem ficou com pena.
E retirou cuidadosamente o anzol 
e pincelou com iodo a garganta do coitadinho. 
Depois guardou-o no bolso traseiro das calças, 
para que o peixinho sarasse no quente. 
E desde então ficaram inseparáveis.

Aonde o homem ia, 
o peixinho acompanhava, 
a trote, 
que nem um cachorrinho. 
Pelas calçadas. 
Pelos elevadores. 
Pelos cafés.
Como era tocante vê-los no “17”! – o homem, grave, de preto, com uma das mãos segurando a xícara fumegante de moca, 
com a outra lendo jornal, 
com a outra fumando, 
com a outra cuidando do peixinho, 
enquanto este, silencioso e levemente melancólico, tomava uma laranjada por um canudinho especial ...

Ora, um dia o homem e o peixinho passeavam à margem do rio onde o segundo dos dois fora pescado. 
E eis que os olhos do primeiro se encheram de lágrimas. 
E disse o homem ao peixinho:
- Não, não me assiste o direito de te guardar comigo. Por que roubar-te mais tempo ao carinho do teu pai, da tua mãe, dos teus irmãozinhos, da tua tia solteira? Não, não e não! Volta para o seio da tua família. E viva eu cá na terra sempre triste ...

Dito isso, 
verteu copioso pranto e, 
desviando o rosto, 
atirou o peixinho na água. 
E a água fez um redemoinho, 
que depois foi serenando, serenando... 
até que o peixinho morreu afogado."

Imagino só a carinha das crianças fazendo as dobraduras :)

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