sábado, 19 de setembro de 2020

Conto: "O caboclo, o padre e o estudante" - Luís da Câmara Cascudo - em inglês

Esse conto eu li no maravilhoso livro "Contos Tradicionais do Brasil", de Luís da Câmara Cascudo, e foi a estória que escolhi para contar na sétima edição do Encontro Internacional de Contadores de Estórias - World Ceilidh, que acontece neste domingo (20) às 11h30 (horário de Brasília) com transmissão pelo Zoom, organizado pelo narrador holandês Marin Millenaar com a participação de contadores de estórias de todas as partes do mundo.

Como a participação é em inglês, tive que traduzi-lo e ficou assim:

The peasant, the priest and the student

A student and a priest were traveling through the Brazilian northeastern rough and dry countryside, with a peasant as companion. They were given a small goat cheese in a house.

 Not knowing how to divide it, even because the cheese was so small that it would not be enough for the three of them, the priest decided that everyone should sleep and the cheese would be given to the one that had, during the night, the most beautiful dream, thinking of fooling everyone with his magnificent oratory resources.

Everyone accepted and went to sleep. In the middle of the night, everyone else sleeping, the peasant woke up, went to the cheese and ate it.

In the morning, the three of them sat at the table for coffee, each ready to tell their dream. 

The priest said he dreamed of Jacob's ladder and described it brilliantly, how he ascended triumphantly to heaven through the celestial ladder. The student then said that he had dreamed of himself already in heaven waiting for the priest to come up. 

The peasant then smiled and said:

- I dreamed that I saw you, Your Holiness, climbing the stairs and you, Your Cleverness, in the sky, surrounded by angels and friends. I stayed on the ground and shouted:

- Mr student, Mr priest, the cheese! You forgot the cheese!

Then, the two of you answered from afar, from the sky, surrounded by the sweetest angels:   

- Eat the cheese, Mr peasant! Eat the cheese, man! We're in heaven now, we don't want cheese.

- I tell you, the dream was so real, so vivid, that I thought it to be true, so I got up while you were sleeping and ate the cheese…



A versão original, em português, eu postei aqui no blog em 2009 - leia aqui.

sábado, 12 de setembro de 2020

Cuento: Sopa de pato (espanhol)

Opa! Estou participando do Festival Internacional de la Oralidad por la Vida - La Fogata de Cuentos, com dezenas de outros contadores de estórias de vários países em apresentações ao vivo pelo Facebook. Sou uma das poucas brasileiras participantes. Hoje contei uma versão em inglês do conto "Viva Deus e ninguém mais", de Luís da Câmara Cascudo, que virou "The fisherman, the ring and the king". Depois eu posto aqui essa minha versão em inglês 😊

O conto deste domingo será narrado em espanhol, Sopa de Pato, um conto sufi registrado pelo escritor Idries Shah sobre a perda da essência verdadeira quando longe da fonte original. Segue a estória, conforme encontrei no site Contarcuentos.

Sopa de pato

Cierto día, un campesino fue a visitar a Nasrudin, atraído por la gran fama de éste y deseoso de ver de cerca al hombre mas ilustre del país. Le llevó como regalo un magnífico pato. El Mula, muy honrado, invitó al hombre a cenar y pernoctar en su casa. Comieron una exquisita sopa preparada con el pato.

A la mañana siguiente, el campesino regresó a su campiña, feliz de haber pasado algunas horas con un personaje tan importante. Algunos días más tarde, los hijos de este campesino fueron a la ciudad y a su regreso pasaron por la casa de Nasrudin.
– Somos los hijos del hombre que le regaló un pato – se presentaron.
Fueron recibidos y agasajados con sopa de pato.

Una semana después, dos jóvenes llamaron a la puerta del Mula.
– ¿Quiénes son ustedes?
– Somos los vecinos del hombre que le regaló un pato. El Mula empezó a lamentar haber aceptado aquel pato. Sin embargo, puso al mal tiempo buena cara e invitó a sus huéspedes a comer.

A los ocho días, una familia completa pidió hospitalidad al Mula.
– Y ustedes ¿quiénes son?
– Somos los vecinos de los vecinos del hombre que le regaló un pato.

Entonces el Mula hizo como si se alegrara y los invitó al comedor. Al cabo de un rato, apareció con una enorme sopera llena de agua caliente y llenó cuidadosamente los tazones de sus invitados. Luego de probar el líquido, uno de ellos exclamó:
– Pero… ¿qué es esto, noble señor? ¡Por Alá que nunca habíamos visto una sopa tan desabrida!

Mula Nasrudin se limitó a responder:
– Esta es la sopa de la sopa de la sopa de pato que con gusto les ofrezco a ustedes, los vecinos de los vecinos de los vecinos del hombre que me regaló el pato.

Maestro: recibimos muchas veces la versión de la versión de la verdad; poco queda de su esencia original.

domingo, 21 de junho de 2020

Conto: A lenda da bela Tsuru

Tsuru-no-Ongaeshi: a lenda da bela jovem Tsuru

Mukashi Mukashi aru tokoro ni… Há muito, muito tempo em uma terra distante, vivia um jovem camponês em sua pobre choupana. Um dia, enquanto colhia algumas parcas verduras na terra cansada de sua fazenda, uma brilhante garça branca veio descendo e caiu no chão a seus pés. O homem percebeu uma flecha perfurando uma de suas asas. Com pena da garça, puxou a flecha e limpou o ferimento, cuidando pacientemente da ave.
Graças aos seus cuidados, o pássaro logo foi capaz de voar novamente. O jovem então soltou a garça de volta para o céu, dizendo: “Tenha cuidado a partir de agora com caçadores”. O belo pássaro circulou voando três vezes sobre a cabeça do jovem, soltou um grito, como em agradecimento e, em seguida, voou para longe. Algum tempo depois, o camponês foi surpreendido por uma bela mulher batendo em sua porta, sem desconfiar que a jovem, na verdade, era a garça ferida que havia cuidado com tanto carinho.
Não muito tempo após o encontro com a brilhante garça, o jovem foi surpreendido pela visão de uma bela mulher a quem nunca tinha visto antes, parada, em pé na soleira da porta de sua casa.  Sorrindo para o homem, graciosamente pediu-lhe abrigo por uma noite. O camponês, por ser bom, não negaria esta caridade a qualquer pessoa, mas a beleza da estranha fez com que acreditasse que deixá-la dormir em sua pobre cabana seria realmente uma honra.
Durante a conversa que se travou na longa noite, atraídos um pelo outro, instantaneamente apaixonaram-se. “Eu serei sua esposa”, anunciou confiante a mulher. O jovem ficou surpreso e com medo de sua situação precária, dizendo: “Sou muito pobre, e não poderei sustentá-la.” A bela moça respondeu, apontando para um pequeno saco, “Não se preocupe, temos muito arroz”, e começou a preparar o jantar. O homem ficou confuso, mas feliz, e os dois começaram então uma nova vida juntos. E o saco de arroz, misteriosamente manteve-se sempre cheio.
A noiva era delicada, atenciosa, e tinha tanta disposição para o trabalho quanto era bonita, e assim, os recém-casados viviam muito felizes. Porém, o camponês que já tinha muita dificuldade em viver sozinho, ficou muito preocupado em não conseguir cobrir as despesas de sua nova vida de casado.
Percebendo sua preocupação, a esposa perguntou se poderia construir-lhe um quarto de tecelagem, disse ao marido que produziria um tecido especial (tecer era um trabalho comum para as mulheres nessa época). Ele poderia vendê-lo para ganhar algum dinheiro, mas ela alertou que precisaria fazer seu trabalho em segredo e, que ninguém, nem mesmo ele, seu marido, poderia vê-la tecer. O camponês construiu então outra pequena cabana nos fundos de sua casa, e quando ficou pronto, ela disse: “Você tem que prometer nunca espreitar-me.” Dito isso, se trancou no quarto. Lá, ela trabalhou durante dias, e o jovem pacientemente esperou.
O marido só ouvia o som do tear batendo, e a curiosidade e a saudade que tinha de sua bela mulher fazia com que os dias demorassem muito para passar. Finalmente, depois de três dias, o som do tear parou e sua esposa saiu segurando nas mãos o mais belo tecido que ele já tinha visto. Era um tecido de textura delicada, brilhante e com desenhos exóticos. A tecelã lhe deu o nome de “mil penas de Tsuru”. “Leve este pano para o mercado que será vendido por um preço alto”, disse a esposa. No dia seguinte, ele levou o rico fardo para a cidade. Os comerciantes ficaram surpreendidos com a beleza do tecido e lutaram entre si para consegui-lo. E, assim como ela disse, foi vendido por muitas moedas de ouro.  O pobre homem não podia acreditar que tão de repente a sorte começasse a lhe sorrir. Feliz, voltou para casa.
A partir de então, a esposa passou a trabalhar no valioso tecido muitas outras vezes. O casal podia, com o fruto das vendas, viver em conforto. A mulher, porém, tornava-se, dia após dia, mais magra. Um dia, disse que não poderia tecer por um bom tempo. Ela estava muito cansada. Seus ossos lhe doíam e a fraqueza quase a impedia de ficar em pé. O camponês a amava muito e acreditava naquilo que dizia, porém, tinha experimentado a cobiça e, como havia contraído algumas dívidas na cidade, pediu para que tecesse somente por mais uma vez. A princípio ela não aceitou, mas perante a insistência do marido, cedeu e começou a tecer novamente.
Desta vez, ela não saiu no terceiro dia como era de costume. E o homem ficou preocupado. Mais três dias se passaram sem que a mulher aparecesse. E isso começou a deixar o marido desesperado. No sétimo dia, sem saber mais o que fazer, ele quebrou sua promessa, espiando o serviço de tecelagem que ela fazia dentro do quarto.
Para sua grande surpresa, não era sua graciosa esposa quem estava tecendo. Arqueada sobre o tear, encontrava-se uma garça, muito parecida com aquela que o camponês havia curado, arrancando suas próprias penas para tecer. O jovem homem sentiu-se arrasado, culpando-se pelo que poderia ter acontecido com sua amada. Amaldiçoava-se por ter sido insaciável e praticamente tê-la obrigado a tecer mais uma vez.
O pássaro então notou o jovem a espreitar-lhe e disse: “Eu sou a garça que você salvou. Queria muito recompensá-lo por sua gentileza em me curar, por isso, tornei-me sua esposa, mas agora que viu minha verdadeira forma, não posso ficar aqui por mais tempo.” Então, com as mãos tremulas entregou-lhe o tecido acabado, e com a voz embargada disse: “Deixo-vos isto para que se lembre de mim.”  Assim dizendo, ela se transformou em uma garça e voou, deixando o camponês com lágrimas nos olhos vê-la desaparecer no horizonte.
Por Isa Constantino do livro: Myths and legends of Ancient Japan

quarta-feira, 22 de abril de 2020

O dragão do Morro Bom Jesus

Você sabia que, de vez em quando, a terra treme em Caruaru, uma cidadezinha muito agradável do interior de Pernambuco, onde se faz o Maior e Melhor São João do Mundo? Pois é, e quando isso acontece o povo todo fica muito assustado. Acontece que ninguém hoje se lembra o motivo desses tremores. Qual placa tectônica que nada! O motivo é muito mais fantástico que esse... Descubra qual é na narração da Cigana Contadora de Estórias 😊

segunda-feira, 20 de abril de 2020

Estórias ao vivo no Blog da Ilha de Itaparica


Opa! No último dia 5 fiz uma apresentação ao vivo pela página do Facebook do Blog da Ilha de Itaparica para entreter a garotada de molho em casa por causa da pandemia do novo coronavírus. Contei estórias do meu livro (Era uma vez... Cepe, 2014) e do folclore mundial. Se você perdeu a sessão de estorinhas, é só clicar no link acima 😉 
Na próxima sexta, às 10h farei nova apresentação, dessa vez pelo Instagram do Blog da Ilha.

sábado, 1 de fevereiro de 2020

Salve Yemanjá! - conto de Pierre Verger

Odô Iyâ Yemanjá Ataramagbá,
ajejê lodõ, ajejê nilê!

Iemanjá era a filha de Olokum, a deusa do mar.
Em Ifé, ela tornou-se a esposa de Olofin-Odudua, com o qual teve dez filhos.
Estas crianças receberam nomes simbólicos e todos tomaram-se orixás. Um deles foi chamado
Oxumaré, o Arco-Íris, "aquele-que-se-desloca-com-a-chuva-e-revela-seus-segredos".
De tanto amamentar seus filhos, os seios de Iemanjá tornaram-se imensos.
Cansada da sua estadia em Ifé,
Iemanjá fugiu na direção do "entardecer-da-terra", como os iorubas designam o Oeste,
chegando a Abeokutá.
Ao norte de Abeokutá, vivia Okere, rei de Xaki.
Iemanjá continuava muito bonita.
Okere desejou-a e propôs-lhe casamento.
Iemanjá aceitou mas, impondo uma condição, disse-lhe:
"Jamais você ridicularizará da imensidão dos meu seios."
Okere, gentil e polido, tratava Iemanjá com consideração e respeito.
Mas, um dia, ele bebeu vinho de palma em excesso.
Voltou para casa bêbado e titubeante.
Ele não sabia mais o que fazia.
Ele não sabia mais o que dizia.
Tropeçando em Iemanjá, esta chamou-o de bêbado e imprestável.
Okere, vexado, gritou:
"Você, com seus seios compridos e balançantes!
Você, com seus seios grandes e trêmulos!"
Iemanjá, ofendida, fugiu em disparada.
Certa vez, antes do seu primeiro casamento,
Iemanjá recebera de sua mãe, Olokum,
uma garrafa contendo uma poção mágica pois, dissera-lhe esta:
"Nunca se sabe o que pode acontecer amanhã.
Em caso de necessidade, quebre a garrafa, jogando-a no chão."
Em sua fuga, Iemanjá tropeçou e caiu.
A garrafa quebrou-se e dela nasceu um rio.
As águas tumultuadas deste rio levaram Iemanjá em direção ao oceano, residência de sua mãe
Olokum.
Okere, contrariado, queria impedir a fuga de sua mulher.
Querendo barrar-lhe o caminho, ele transformou-se numa colina, chamada, ainda hoje, Okere,
e colocou-se no seu caminho.
Iemanjá quis passar pela direita, Okere deslocou-se para a direita.
Iemanjá quis passar pela esquerda, Okere deslocou-se para a esquerda.
Iemanjá, vendo assim bloqueado seu caminho para a casa materna, chamou Xangô, o mais
poderoso dos seus filhos.
Kawo Kabiyesi Sango, Kawo Kabiyesi Obá Kossôl "
Saudemos o Rei Xangô, saudemos o Rei de Kossô!"
Xangô veio com dignidade e seguro do seu poder. ele pediu uma oferenda de um carneiro e
quatro galos, um prato de "amalá", preparado com farinha de inhame, e um prato de
"gbeguiri", feito com feijão e cebola.
E declarou que, no dia seguinte, Iemanjá encontraria por onde passar.
Nesse dia, Xangô desfez todos os nós que prendiam as amarras da chuva. Começaram a
aparecer nuvens dos lados da manhã e da tarde do dia.
Começaram a aparecer nuvens da direita e da esquerda do dia.
Quando todas elas estavam reunidas, chegou Xangô com seu raio.
Ouviu-se então: Kakara rá rá rá ...
Ele havia lançado seu raio sobre a colina Okere.
Ela abriu-se em duas e, suichchchch ...
Iemanjá foi-se para o mar de sua mãe Olokum.
Aí ficou e recusa-se, desde então, a voltar em terra.
Seus filhos chamam-na e saúdam-na:
”Odo Iyá, a Mãe do rio, ela não volta mais.
Iemanjá, a rainha das águas, que usa roupas cobertas de pérolas."
Ela tem filhos no mundo inteiro.
Iemanjá está em todo lugar onde o mar vem bater-se com suas ondas espumantes. Seus filhos
fazem oferendas para acalmá-Ia e agradá-la.
Odô Iyá, Yemanjá, Ataramagbá Ajejê lodôl Ajejê nilêl
"Mãe das águas, Iemanjá, que estendeu-se ao longe na amplidão.

Paz nas águas! Paz na casa!"

Fonte: Lendas Africanas dos Orixá, 4a edição

©Fundação Pierre Verger/ Carybe e Corrupio Edições e Promoções Culturais Ltda.

domingo, 24 de novembro de 2019

Espelho fiel - meu primeiro microconto

A que chega a audácia dos incautos, tsc tsc...
Não é que decidi participar de um concurso de microcontos aqui na Espanha e em catalão? Pois bem, meu nível de catalão é ainda básico, de modo que escrevi o texto em espanhol e fui levando para o catalão que conhecia. Minha professora Lidia Ponsatí Marín revisou e eu tive o atrevimento de inscrevê-lo no I Concurs de Microrelats de l'Ateneu. Não ganhei, mas fiquei entre os selecionados, o que já me deixou muito contente, afinal nunca havia escrito um microconto (confesso que simpatizei muito com o formato) e ainda menos em catalão. Segue o fruto desse trabalho em português e em catalão. A ilustração é a pintura Woman before the mirror, 1912, de Ernst Kirchner.

Espelho fiel
Hoje é o meu aniversário. Agora sou uma distinta senhora de 50 anos. Minha mãe, 50 anos! Já sou uma velha! O espelho parece concordar: olha lá meus cabelos brancos e minhas rugas. Ainda ontem eu era uma garota de 13 anos vivendo seu primeiro amor. Também me posso ver com 18 anos querendo ser piloto de avião; o primeiro casamento aos 19 anos; o primeiro filho aos 23. Balanço a cabeça. Dor e separação.
Mas o tempo cura tudo.
Meus filhos cresceram, já estou aposentada. Será que já está na hora de sentar e esperar que a morte me chegue?
Olho para a mulher no espelho. Ela me dá uma piscadela, cúmplice e sábia. Mais sábia do que eu. Não, ainda não, ela sorri e me conta um segredo: ainda tem muito para eu ver, para viver. Quem sabe se o amor não está lá ao virar da esquina?
Abro a porta e saio decidida, não sem antes dar uma última olhada no espelho. E sabe o que vejo? Esperança e uma bela mulher. Sorrio. Já está na hora. Vou ao Ateneu. Hoje é dia de espetáculo. Hoje é dia de celebrar a vida, a minha vida!


***
Mirall fidel

Avui és el meu aniversari. Ara soc una distingida senyora de 50 anys. Mare meva, 50 anys! Soc una vella ja! El mirall sembla estar d’acord: mira allà els meus cabells blancs i les meves arrugues. Em nego a acceptar-ho. Encara ahir jo era una nena de 13 anys vivint el seu primer amor. Em puc veure també als 18 anys volent ser pilot d’avió; el primer matrimoni als 19; el primer fill als 23. Meneo el cap. Dolor i separació.
Però el temps ho cura tot.
Els meus fills han crescut, ja estic jubilada. És l’hora de seure i esperar que m’arribi la mort?
Miro la dona al mirall. Ella em fa una picada d’ullet, còmplice i savia. Més savia que jo. No, encara no, ella somriu i em diu un secret: encara me queda molt per veure, per viure. Qui sap si l’amor no hi és a la volta de la próxima cantonada?
Obro la porta i surto decidida, no sense abans fer una última ullada ao mirall. I saps qué hi veig? Esperança i una bella dona. Jo somriure. És l’hora ja. Vaig a l’Ateneu. Avui és un dia d’espetacle. Avui és un dia per celebrar la vida, la meva vida!

=>Ouça a versão em catalão aqui.

Conto: "A mulher que colecionava domingos", de Cristina Porcaro

  Ela se chamava Isadora, mas poderia se chamar Flora, Ana ou mesmo Sossego e tinha o hábito de, estranhamente, colecionar domingos. Não em ...