quinta-feira, 26 de novembro de 2015

O maníaco da Feira de Caruaru


Esse foi o conto que eu escrevi e que levou o segundo lugar no concurso de contos "Recortes de Caruaru".

O maníaco da Feira de Caruaru

Diz a música que “de tudo que há no mundo tem na Feira de Caruaru”. E isso é bem verdade. Pense em qualquer produto, que você acha lá. Mas essa história, que vou contar, não tem nada a ver com fruta, verdura ou coisa parecida. É uma história cabeluda, de terror mesmo, que aconteceu há muitos anos. 
Naquela época, se estava falando muito de uns misteriosos desaparecimentos de moças que ninguém nunca mais encontrava. Nem a polícia, por mais que se esforçasse, conseguia achar uma só pista para seguir. Até parecia que as vítimas sumiam no ar, para só muito tempo depois aparecerem, infelizmente já sem vida, e, o mais estranho, completamente carecas. Os repórteres policiais se assanhavam todos, sempre que havia uma notícia dessas. O povo já começava a ficar com medo de ir à feira por causa do Maníaco do Cabelo, que é como o criminoso ficou sendo chamado. 
Dona Zetinha tinha uma barraca na feira de farinha. Ela vendia o melhor beiju e a tapioca mais gostosa de toda Caruaru. Dona Zetinha era ajudada pela filha, uma mocinha de seus 17 anos chamada Siana, que era a alegria daquela parte da feira. Sempre sorridente, vivia cantarolando, servindo os fregueses, meneando as longas tranças aloiradas, que lhe chegavam até o meio das costas.
– Siana, minha filha, vá ali em dona Célia trocar esse dinheiro para mim, vá! – pediu dona Zetinha. A menina, pressurosa, limpou no avental as mãos brancas da farinha de tapioca e pegou a nota de 50 reais. Zé da Perna ou Zé Peu, um pobre coitado aleijado, que vivia por ali e fazia as vezes de carregador, se ofereceu para ir com ela.
– Oxe, seu Zé Peu, carece não! A barraca de dona Célia é aqui pertinho! – Siana gentilmente recusou a oferta.
– Oxente, menina Siana, que com esse doido dos cabelos zanzando por aí não se pode brincar não, né mesmo, dona Zetinha?
A mãe da mocinha concordou.
– Vá com ela, seu Zé, faça o favor!
A barraca de dona Célia ficava ali perto, na parte das ervas, mas, sonhadora como era, Siana fez questão de encompridar o caminho, passando pelas barracas de bolo e de queijo do Sertão. Zé Peu a acompanhava, arrastando a perna doente, mas prestando atenção em tudo, fiel como um cão, para ninguém molestar sua protegida. Por ele passou um vendedor de pente, de chapéu na cabeça, com um carrinho cheio de tudo quanto era enfeite, xuxinha, elástico, fivela, piranha, diadema e até pomada cheirosa pra dar brilho nos cabelos. Mais interessada num pedaço de bolo barra branca que via numa barraca ali perto, Siana passou batida por ele, mas uma outra menina, mais ou menos da mesma idade, encantou-se logo com um prendedor enfeitado com uma enorme rosa vermelha e parou.
– Quanto é, moço? - Perguntou ao ambulante.
O vendedor olhou-a de alto a baixo, reparando na beleza dos cabelos compridos.
– Experimente, menina! Bote no seu cabelo para a gente ver como fica – disse ele, sorridente.
Vaidosa, a menina prendeu os cabelos com o enfeite, olhando-se toda satisfeita no espelho do carrinho.
– Ficou foi bom, vou levar! Quanto é?
– Para você, faço baratinho, só 2 reais.
Dois reais era mesmo uma pechincha. A menina nem titubeou. Pegou o dinheiro no bolso da calça, pagou e foi-se embora para casa, com o enfeite no cabelo. À noite, quando saía para ir ao colégio, onde fazia o 9º ano, fez questão de usar o novo enfeite. Nunca mais foi vista com vida. Seu corpo foi encontrado alguns dias depois, boiando no Rio Ipojuca, com marcas de dedos no pescoço e, como todos os outros, completamente careca.
– O mesmo modus operandi! – exclamou, desalentada, a delegada Clarice. – É o quinto corpo encontrado da mesma forma, meninas entre 16 e 18 anos, marcas de
estrangulamento, com a cabeça completamente raspada. Eu não sei mais o que fazer! Não há nenhuma pista! Parece que o bandido some no ar!
O desabafo era com a comissária Leona. Também ela, acostumada a atuar no Serviço de Inteligência da Polícia Civil, encontrava-se tão encafifada quanto a chefe.
– E o pior é que o governador está me pressionando, o prefeito foi lá reclamar, quer uma providência urgente. Mas não temos pista alguma! – lamentou a policial que, em seus 20 anos de carreira, nunca havia se deparado com qualquer crime que não tivesse conseguido resolver. Será que esse iria ser o primeiro?
De volta à feira, na barraca de dona Zetinha, o movimento tinha caído. O povo estava com muito medo do tal maníaco. Siana brincava distraída com as tranças quando um vendedor de enfeite de cabelo passou por ela. O reflexo do sol brilhou em um espelho encandeando a menina e despertando-a do devaneio. Seu olhar bateu mesminho numa orquídea de tecido, perfeita para prender num rabo de cavalo. Ela deu um pinote atrás do ambulante.
– Moço, quanto é essa flor? – perguntou, pegando o enfeite. O vendedor olhou para ela, através dos óculos escuros, e só enxergou as longas tranças aloiradas.
– Bote para a gente ver como fica! – tirou a flor e ofereceu-a à menina. Siana prendeu-a nas tranças e olhou-se no espelho. Seu olhar encontrou o do vendedor, que sorria contente.
– Gostei, vou levar.
– É só 2 reais – pediu o homem. Siana botou a mão no avental que ainda usava e pegou a cédula, entregando-a ao vendedor. Zé Peu, logo em frente, assistia à cena, sempre cuidadoso na menina, e achou esquisito o vendedor, que ficou parado, olhando Siana ir-se embora, balançando as tranças, agora enfeitadas pela flor. “Oxe, esse cabra tá paquerando minha menina, é? Arre, que já cuido de ti, febrento!”, pensou ele, sem tirar os olhos do tal ambulante. Foi por isso que viu o homem ir-se embora da feira, com o carrinho ainda cheio de mercadoria. Não se sabe se por uma inspiração divina – ou ciúme mesmo – Zé Peu decidiu seguir o vendedor. Viu quando o homem atravessou a Ponte da Integração, pegou a XV de Novembro, passou pelo Armazém Lacerda e desceu para os Guararapes, sumindo-se numa pensão barata.
À noite, Siana se aprontava para ir à escola ali perto de casa, na Rua do Vassoural. Dona Zetinha beijou a menina, recomendando-lhe não ficar muito tempo na rua, depois da aula, ainda mais com esse tal de maníaco à solta. Siana riu-se da preocupação da mãe, atenção presa no espelho, ajeitando a flor que tinha comprado na feira. Animada por encontrar as amigas, a mocinha saiu de casa e nem botou reparo no homem que saiu de trás de um poste, em direção a ela.
– Boa noite, menina! – cumprimentou-a o estranho, assustando Siana. – Pode me dizer onde tem um chaveiro por aqui? Me disseram que tem um perto do colégio.
– Eu não sei, moço, mas o colégio fica logo ali. Se quiser, posso... – a menina nem conseguiu completar a frase, pois o homem, num movimento rápido, tapou-lhe a boca com um pano molhado. O mundo girou e ela perdeu os sentidos. Quando voltou a si, estava amordaçada e amarrada, sentada numa cadeira, num lugar desconhecido. À sua frente, o homem que lhe tinha pedido informação na rua. Siana arregalou os olhos, aterrorizada, quando ele tirou o chapéu, descobrindo a cabeça completamente careca, e os óculos escuros, mostrando um rosto sem sobrancelhas e olhos sem pestanas. Parecia uma alma penada, com aquela cabeça pontuda e os olhos pelados, escuros e vazios de expressão.
O homem levantou-se e pegou uma navalha de uma mesa cheia de perucas e enfeites de cabelo. Acercou-se da cadeira onde estava Siana, pegou suas compridas tranças, sentindo-lhes o peso e a maciez, e esfregou-as contra o próprio rosto. Num assomo de raiva, arrancou a flor que as enfeitava, desfazendo o penteado. Sentindo as lágrimas descerem, pelo perigo iminente, a menina rezou por um milagre. O homem desceu as mãos contra o pescoço dela e começou a apertar. Nesse momento, ouviu-se um estrondo e a porta do quarto foi abaixo. Um policial, de arma em punho, entrou gritando:
– Parado, é a polícia! Largue a moça ou vai levar bala!
Vendo-se acuado, o homem cedeu, mas lembrou-se da navalha e agarrou a arma. O tiro acertou-lhe o braço e ele gritou. Na cadeira, Siana chorava. O policial desamarrou-a e tirou-lhe a mordaça, enquanto outro prendeu o bandido. A delegada Clarice entrou no quarto, acompanhada da comissária Leona.
– Pegamos o homem! – comemorou a policial.
– Graças àquele telefonema anônimo! – ajuntou a parceira.
Num tosco armário, no quarto, estavam todas as evidências dos crimes que chocaram a cidade e confundiram a polícia: dezenas de fotos do acusado usando macabras perucas feitas com os cabelos das moças assassinadas e os enfeites de cabelo, com as digitais das pobres vítimas, comprados bem baratinhos, somente a 2 reais, na Feira de Caruaru.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Opa! A Bia Baoba vai estar lá!

O escritor Itamar Morgado, autor do delicioso "Bia Baobá", é um dos convidados para o Domingo no Museu, que acontece no próximo dia 13, às 14h, no Museu do Estado de Pernambuco. Junto com Lucas Mariz e Gabriela Kopinits, a Cigana Contadora de Estórias, Itamar vai bater um papo com as crianças e os pais.
A entrada é franca!
Bia Baobá conta a estória de uma menininha distraída, que cultiva sementes no chapéu, não gosta de ir à escola em dia de chuva, e ama as aulas de artes.

Ricardo Melo, diretor de Produção e Edição da Cepe, Itamar Morgado, autor de Bia Baobá, e a Cigana Contadora de Estórias – Foto Victor Vargas


quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Domingo no Museu com as estórias da Cigana!


No próximo domingo (13), às 14h, a escritora e jornalista Gabriela Kopinits, a Cigana Contadora de Estórias, vai estar na 3ª edição do “Domingo No Museu”, evento promovido pela Cepe Editora no Museu do Estado de Pernambuco.  A cigana vai contar estórias do seu livro "Era uma vez... estórias de uma contadora de estórias", lançado pela editora e que está concorrendo ao Prêmio Jabuti em sua versão digital.
Além das estórias da Cigana, o “Domingo no Museu” terá um bate-papo com os também escritores Itamar Morgado (Bia Baobá) e Lucas Mariz (O conto do garoto que não é especial), venda de livros, brincadeiras e guloseimas. “É um momento para a criançada e sua família passarem um domingo diferenciado e cultural”, reforça Viviane Aquino, assessora do evento.
O “Domingo no Museu” acontece no segundo domingo de cada mês, das 14h às 17h. A entrada é franca.
SERVIÇO
A Cigana Contadora de Estórias no “Domingo no Museu”
Data: 13/09/2015
Hora: bate-papo às 14h e contação de estórias às 15h30
Onde: Museu do Estado de Pernambuco

Av. Rui Barbosa, 960 - Graças, Recife – PE

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Estórias da Cigana em formato e-book serão lançadas na Fliporto

Optcha!
As estórias da Cigana viraram e-book!
Allahu Akbar! Deus é grande!

Gabriela Kopinits, a Cigana Contadora de Estórias - Foto: Rafael Silva/Cepe
As estórias da jornalista Gabriela Kopinits, a Cigana Contadora de Estórias, reunidas no livro “Era uma vez... estórias de uma contadora de estórias”, da Cepe Editora, ganharam versão eletrônica. Sob a coordenação de Igor Burgos, gerente de digitalização, e Rodolfo Galvão, editor de design e desenvolvimento de projetos digitais da editora, o e-book traz as 10 estórias infantis originais do livro impresso, com ilustrações de Rivaldo Barboza, coordenação editorial de Marco Polo Guimarães e Luiz Arrais, produção de Joselma Firmino e Mariza Pontes, e revisão de Ruy Guerra e Dudley Santos.

A versão eletrônica, supervisionada por Ricardo Melo, diretor de edição e produção da Cepe, foi gravada e mixada por Guilherme Assis e Justino Passos, do estúdio Phono Produções e Conteúdo, e teve tratamento e ilustração digital de China Filho (também responsável pelo projeto gráfico do impresso, junto com Ednaldo Muniz), que assina ainda o storyboard do e-book, ao lado de Edlamar A. Soares e Rodolfo Galvão. A narração foi feita pela própria autora, que também é contadora de estórias.

Interatividade e menor custo – Coordenador do projeto, Igor Burgos, gerente de digitalização da editora, ressalta que, entre as vantagens de produção do e-book, está o baixo custo de produção. O livro digital, explica Burgos, tem seu custo bastante reduzido em relação ao impresso, pois a sua produção não envolve investimentos, por exemplo, em impressão e logística. “O livro digital tem como diferencial a sua mobilidade, capacidade de armazenamento, interatividade e o preço bastante acessível: a Cepe pratica preços bem inferiores ao impresso, que, em média chega a 70% de diferença”, pontifica Burgos.

Igor Burgos, gerente de digitalização da Cepe Editora - Foto: China Filho/Cepe
A editora tem em seu catálogo 19 títulos no formato Epub 2.0. Os primeiros e-books interativos infantis da editora vão ser lançados agora na Fliporto, no formato Epub 3.0. Nesse formato, explica Rodolfo Galvão, editor de design e desenvolvimento de projetos digitais da Cepe, o processo de conversão do livro é bem mais detalhado e requer uma produção e técnicas bem mais elaboradas. “O processo vai desde a rediagramação do texto até a produção audiovisual. O ponto de partida é a elaboração do projeto digital do livro no qual são definidas as adaptações ao novo formato. Uma vez definido, é iniciada a elaboração do storyboard, no qual são definidas as opções de interatividade como vídeos, jogos e áudios que serão aplicadas”, finaliza Galvão.
Edlamar Soares, China Filho e Rodolfo Galvão na produção do e-book “Era uma vez...” – Foto: Rafael Silva/ Cepe
Além do e-book da Cigana Contadora de Estórias (à venda nas principais livrarias digitais do mundo, como a Amazon, a Apple, a Iba e a Cultura), a Cepe vai lançar outros quatro títulos do seu selo infantojuvenil, no mesmo formato: O hipopótamo que tinha ideias demais, de Aline Bussons; Alguém viu minha mãe?, de André Kondo; O computador que queria ser gente, de Homero Fonseca; e Bia Baobá, de Itamar Morgado.
E-books infantis da Cepe que vão ser lançados na Fliporto – Foto: Divulgação/Cepe
Os e-books têm as vozes de JotaP Voice, Joselma Firmino, Laura Firmino e Justino Passos, além da própria Cigana, que narrou também as estórias dos livros O hipopótamo que tinha ideias demais e Alguém viu minha mãe?. O lançamento está marcado para o próximo domingo (16), às 10h, no estande da editora na Fliporto - Festa Literária Internacional de Pernambuco, que acontece de 13 a 16 deste mês na Praça do Carmo, em Olinda.
Gabriela Kopinits gravando a narração do e-book – Foto: Rodolfo Galvão/Cepe
Guanabara Comunicação

SERVIÇO
Lançamento do e-book “Era uma vez... estórias de uma contadora de estórias”, de Gabriela Kopinits, a Cigana Contadora de Estórias - Domingo – 16/11, às 10h

Estande da Cepe Editora (nºs 2, 3 e 4) na Fliporto – Praça do Carmo – Olinda/PE



sábado, 8 de novembro de 2014

A Cigana na Fliporto 2014

A jornalista e escritora Gabriela Kopinits, a Cigana Contadora de Estórias, lança no próximo domingo, dia 16, às 10h, a versão e-book do seu livro "Era uma vez... estórias de uma contadora de estórias", da Cepe Editora.

Sob a coordenação de Igor Burgos, gerente de digitalização, e Rodolfo Galvão, editor de design e desenvolvimento de projetos digitais da Cepe, o e-book traz as 10 estorinhas originais do livro impresso, com as ilustrações do designer Rivaldo Barboza, coordenação editorial deMarcopolo Guimaraes e Luiz Arrais, produção de Joselma Firmino e revisão de Ruy Guerra e Dudley Santos. 

A versão eletrônica, supervisionada por Ricardo Melo, diretor de edição e produçã da Cepe, foi gravada e mixada por Guilherme Assis e Justino Passos, do estúdio Phono Produções e Conteúdo, e teve tratamento e ilustração digital de China Filho, também responsável pelo projeto gráfico do impresso (com Ednaldo Muniz) e pelo storyboard do e-book, ao lado de Edlamar A. Soares e Rodolfo Galvão.

Além do e-book da Cigana, a Cepe vai fazer o lançamento de outros títulos do seu selo infantojuvenil.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014


Está chegando a hora! Dia 04 - sábado que vem, às 10h, o lançamento do livro "Era uma vez... estórias de uma contadora de estórias" da Cigana Contadora de Estórias!
Vai ter contação de estória, teatrinho de mamulengo, sorteio de livros e distribuições de guloseimas. Onde? No Museu do Estado de Perna mbuco, na Av Rui Barbosa, 960 - Graças - Recife/PE.
Não perca!

Conto: "O colar valioso"

Minha tia Regina Hardman compartilhou  essa bela estória no Facebook, e a trago aqui, pois é cheia de sabedoria... Quem tiver ouvidos, que ouça!
Li certa vez uma lenda, que não sei quem escreveu, mas que me fez muito bem. Dizia que um rei tinha dado à sua filha, a princesa, um belo colar de diamantes. Mas o colar foi roubado e as pessoas do reino procuraram por toda a parte sem conseguir encontrá-lo. Alguém havia dito ao rei que seria impossível encontrá-lo, porque um pássaro o teria levado fascinado por seu brilho. O rei, desesperado, então ofereceu uma grande recompensa para quem o encontrasse.

Um dia, um rapaz caminhava de volta para casa ao longo de um lago sujo e mal cheiroso. Enquanto andava, o rapaz viu algo brilhar no lago e quando olhou viu o colar de diamantes. Tentou pegá-lo, pôs sua mão no lago imundo e agarrou o colar, mas não conseguiu segurá-lo, o perdeu. No entanto, o colar continuava lá no mesmo lugar, imóvel. Então, desta vez ele entrou no lago, mesmo sujo, e afundou seu braço inteiro para pegar o colar; mas não conseguiu de novo, o colar escapava-lhe.
Saiu, sentou e pensou de ir embora, sentindo-se deprimido. Mas, de novo ele viu o colar brilhando. Decidiu agora mergulhar no lago, embora fosse sujo. Seu corpo ficou todo sujo, mas ainda assim não conseguiu pegar o colar.
Ficou realmente aturdido e saiu, sentou-se às margens do lago, pensativo... que mistério!
Um velho que passava por ali o viu angustiado, e perguntou-lhe o que estava havendo. O rapaz não quis contar para o velho com medo de perder a recompensa do rei. Mas o velho pediu ao rapaz que lhe contasse qual o problema, e prometeu que não contaria nada para ninguém e não o atrapalharia em nada.
O rapaz, dando o colar por perdido, decidiu contar ao velho. Contou tudo sobre o colar e como ele tentou pegá-lo, mas fracassando. O velho então lhe disse que talvez ele devesse “olhar para cima”, em direção aos galhos da árvore, em vez de olhar para o lago imundo. O rapaz olhou para cima e, para sua surpresa, o colar estava pendurado no galho de uma árvore. Tinha o tempo todo, tentado capturar um simples reflexo do colar...

Conto: "A mulher que colecionava domingos", de Cristina Porcaro

  Ela se chamava Isadora, mas poderia se chamar Flora, Ana ou mesmo Sossego e tinha o hábito de, estranhamente, colecionar domingos. Não em ...