sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Conto: "A menina dos brinquinhos de ouro"


Opa! Já ouviu a estória da menina dos brinquinhos de ouro? Clique aqui e escute a estorinha da Cigana Contadora de Estórias que representou Caruaru no Festival "Storytelling: the heart of culture", do Montalvo Arts Center (Saratoga, California/EUA). 

Essa estória me foi contada há muitos anos por uma linda menininha chamada Cassandra Kopinits e ganhou versão com elementos da estória de Conceição de Oliveira Teles (Histórias da Vovó, Ed. Leitura: 2002).

Segue abaixo uma versão escrita, essa do Site de Dicas.

A menina dos brincos de ouro
Uma mãe, que era muito severa e rude com os filhos, deu de presente a sua filhinha um par de brincos de ouro. E sempre que a menina ia à fonte buscar água e tomar banho,  costumava tirar os brincos e colocá-los em cima de uma pedra.

Um dia ela foi à fonte, tomou banho, encheu o pote e voltou para casa, esquecendo-se dos brincos.
Chegando em casa, deu por falta deles e com medo da mãe brigar com ela e castigá-la, correu à fonte para buscar os brincos. Chegando lá, encontrou um velho muito feio que a agarrou, botou-a nas costas, e a levou consigo.

Então, o velho pegou a menina, meteu ela dentro de um surrão (um saco de couro), coseu o surrão e disse-lhe que ia sair com ela de porta em porta para ganhar a vida e que, quando ele ordenasse, ela cantasse dentro do surrão, senão ele bateria com o bordão (cajado).


E em todo lugar que chegava, botava o surrão no chão e dizia:
"Canta, canta meu surrão, 
Senão te bato com este bordão..."
E o surrão cantava:
"Neste surrão me puseram, 
Neste surrão hei de morrer, 
Por causa de uns brincos de ouro
Que na fonte eu deixei..."
Todo mundo ficava admirado e dava dinheiro ao velho.
Quando foi um dia, ele chegou à casa da mãe da menina, que reconheceu logo a voz da filha. Então convidaram ele para comer e beber e, como já era tarde, insistiram muito com ele para dormir.
De noite, já bêbado, ele ferrou num sono muito pesado.
As moças foram, abriram o surrão e tiraram a menina que já estava muito fraca, quase para morrer. Em lugar da menina, encheram o surrão de excrementos.

No dia seguinte, o velho acordou, pegou no surrão, botou às costas e foi-se embora. Adiante em uma casa, perguntou se queriam ouvir um surrão cantar. Botou o surrão no chão e disse:
"Canta,canta meu surrão, 
Senão te bato com este bordão..."
Nada. O surrão calado. Repetiu ainda. Nada.
Então o velho, furioso, bateu com o cajado no surrão que se arrebentou todo e lhe mostrou a peça que as moças tinham pregado.
Nota: Conto popular no Nordeste do Brasil, especialmente na Bahia e Maranhão. Chegou aqui pelos escravos africanos. No original africano os personagens eram animais.

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