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sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Conto: O dedo de Deus também aponta para baixo

Com grande alegria, trago para você meu conto, que ficou entre os finalistas do II Concurso de Contos "Recortes de Caruaru", promovido pelo Instituto Histórico de Caruaru, com apoio da Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras e da Academia Pernambucana de Letras: "O dedo de Deus também aponta para baixo". Agradeço críticas e comentários 😉

O dedo de Deus também aponta para baixo

As contas se empilhavam na mesa. João levou as mãos à cabeça. De costas para ele, Maria, protuberante nos seus quase nove meses de gravidez, limpava os restos do humilde café da manhã. João trabalhava de pedreiro, construindo prédio para os ricos do Maurício de Nassau. Desde os nove anos ajudava em casa, trazendo os trocadinhos que ganhava guardando e lavando carros no Parque 18 de Maio. Os carros dos dotôres, como ele falava, no linguajar de quem nunca foi à escola.

Não porque não quisesse. O maior sonho dele era poder vestir um daqueles uniformes de brim azul-marinho, tênis conga, cadernos e livros debaixo do braço. Mas a mãe, viúva, oito
filhos pequenos para criar, nunca poderia se dar ao luxo de enviar, logo o mais velho, para a
escola, mesmo a pública, quando ele podia trabalhar. E assim o destino correu para ele. Os sete irmãos foram alimentados com o que a mãe ganhava, como doméstica e lavadeira, e com o que ele, menino de nove, depois dez, onze (e assim por diante) trazia dos bicos que arranjava pela rua.

Agora, aos trinta e dois, prematuramente envelhecido pelo trabalho penoso e desgastante
precocemente iniciado, pela falta de alimentação adequada, pela deficiência da assistência
médica pública, estava prestes a ser pai. Maria, sua esposa, tinha dezenove anos. Pequenina,
mirrada, moreninha. Caçula de uma família de treze irmãos. O pai, alcoólatra, batia na mãe, nos irmãos, nela. Aos treze, depois do pai tê-la estuprado, fugiu de casa, lá no Rafael, e foi morar nas ruas. Corpo de menina-moça, não lhe foi difícil encontrar trabalho. Como prostituta.

Arranchou-se numa pensãozinha modesta no Divinópolis, onde as outras meninas também moravam. A cafetina, uma mulher gorda e fedorenta, com um horrendo buço-quase bigode,
as explorava continuamente. Às vezes, tinha que atender a cinco clientes na mesma noite.
Um dia, Maria engravidou. Ao descobrir isso, a dona da pensão a espancou horrivelmente. Ela burlara a regra número um da casa. Não pegar barriga. Expulsa do lugar que se acostumara a chamar de lar, com um filho no ventre e sem um tostão, ela foi dormir na rua.
Gemendo por causa da surra que recebera da ex-patroa, deitou-se na calçada de uma loja
perto do Palácio do Bispo, tentando proteger-se do chuvisco que caía.

Um grupo de senhoras, que saía da Matriz, a viu. Teriam passado direto por Maria, não fosse uma delas, que se apiedou do embrulho humano largado numa calçada, naquela noite tão fria. A mulher, Adelaide Fontes, esposa de um conhecido comerciante português, ao ver que a moça estava muito machucada, levou-a para a Casa de Saúde. Maria foi salva mas perdeu o bebê.

D. Adelaide resolveu tomar a moça a seu serviço. E Maria virou doméstica. O João, com quem se casou logo depois, conheceu quando ele foi na mansão dos Fontes reformar um dos banheiros. Foi amor à primeira vista. João se agradou da moça quieta, tímida, que vinha lhe trazer um copo d’água, de vez em quando. E Maria gostou daquele homem trabalhador, de olhar tranquilo e fala mansa. 

D. Adelaide ajudou-os a fazer o enxoval. Modesto, a maior parte dos itens coisas usadas, doadas pela patroa, mas, ainda assim, um belo enxoval para uma doméstica e um pedreiro. O casal foi morar num casebre no Fernando Lyra, comprado com as economias que João conseguira fazer mais um dinheiro que dona Adelaide deu a eles. Não era muita coisa, mas, para os dois, acostumados com a pobreza e apaixonados, era um pequeno ninho de amor.

Foi nessa época que a patroa de Maria descobriu que estava esperando um filho. Ela estava nos seus quarenta anos e já tinha engravidado várias vezes e abortado em todas. O marido
nem se animava mais. Tinha medo de perder esse também.

No barraco não muito longe dali, Maria também esperava uma criança. João ficara contente com a notícia, mas, ao mesmo tempo, apreensivo. Tinham pouco dinheiro e o que ganhavam mal dava para ele e a mulher. Como iriam sustentar mais um? Ele haveria de querer que pelo menos seu filho pudesse ir para a escola, como nunca pudera ir. Meu Deus, o que fazer? Alheia a isso, Maria cantarolava pelos cantos.

Na mansão dos Fontes, d. Adelaide também se preparava, certa de que, dessa vez, Deus iria lhe ajudar. Os exames mostravam que tudo ia bem. Por que, então, acreditar que algo daria errado? ‘Não’, pensou ela, sacudindo a cabeça, ‘dessa vez, você vai nascer’. E alisou a barriga de apenas oito semanas. E os meses se passaram e os exames provaram estar corretos. Pelo menos até agora. A barriga de d. Adelaide cada vez crescia mais. A de Maria também. E a preocupação de João idem.

Faltando quase um mês para o neném nascer, ele sofreu um acidente na obra e foi dispensado. Desesperado, não quis contar à mulher por causa do bebê. Depois de uma semana, sarado o ferimento, voltou a sair de casa todo dia, dizendo que ia para a obra. As contas, penduradas há algum tempo, pois ele tinha vergonha de pedir dinheiro a Maria, começaram a ser cobradas. Ele continuava a fingir que estava tudo bem e Maria de nada desconfiava.

Um dia, ela estava lavando a louça na casa da patroa, quando começou a sentir as contrações. Morrendo de dor, encostou-se na pia, segurando a barriga. A bolsa d’água arrebentou e o líquido começou a escorrer por entre as suas pernas. D. Adelaide entrou na cozinha naquele momento e viu o estado da empregada. Mais que depressa, correu ao telefone e chamou a ambulância. Dez minutos depois, as duas estavam a caminho da maternidade, quando d. Adelaide deu um grito, ao sentir uma dor insuportável lhe esmagando o ventre. ‘Meu bebê! ’, ela gritou desesperada, ‘Salvem meu bebê!’

João foi avisado pela vizinha e correu para o hospital. Ao chegar lá, viu o dr. Fontes, sentado no sofá, com o rosto entre as mãos. Era a imagem do desespero. Estava na loja quando lhe telefonaram, avisando que a mulher fora hospitalizada.

O médico saiu do bloco cirúrgico. Os dois homens olharam para ele. ‘O parto está sendo muito difícil’, começou ele, ‘de modo que não podemos prever nada’. O marido de d. Adelaide baixou a cabeça. ‘Meu Deus, me ajude! Não posso perdê-la também...’, e começou a chorar baixinho. João apiedou-se daquele homem. Tão rico, tão poderoso e, no entanto, tão impotente quanto às coisas da vida. Sacudiu a cabeça. Só mesmo Deus.

Numa das salas de parto, os médicos lutavam para trazer um bebê à vida, enquanto que numa outra uma mulher acabava de perder o filho. Uma hora depois, o mesmo médico que viera antes, saiu para falar com eles.

‘Senhores’, pigarreou contrito, ‘suas esposas deram à luz e passam bem, mas...’

‘Graças a Deus! ’, dr. Fontes interrompeu o médico, visivelmente aliviado. Adelaide estava a salvo, era o que importava. João puxou a manga do obstetra.  ‘Doutor, e o meu filho?' 
O médico sacudiu a cabeça, pesaroso. ‘Infelizmente, seu filho não sobreviveu.' 
João fechou os olhos. Sentiu uma mistura de tristeza e de alívio. Deus é sábio, pensou ele. 

O médico perguntou se queriam ver as esposas. No mesmo quarto (exigência de d. Adelaide), as duas mulheres descansavam, depois da luta para trazer os filhos ao mundo. D. Adelaide, orgulhosa, os louros cabelos penteados pela enfermeira, sorriu quando o marido entrou. Maria, de olhos fechados, parecia serena e conformada com a morte do seu filhinho. João a beijou na testa. Ela entreabriu os olhos. 

D. Adelaide estendeu as mãos para ela e murmurou: ‘Obrigada’... Maria assentiu. João olhou de uma para outra, sem entender. No berçário, um saudável bebezinho moreno, de fartos cabelos escuros chorava, inconsolável por ter sido arrancado do seu refúgio seguro. No pequenino pulso, a pulseira de identificação com o nome João Augusto Fontes.

***

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Domingo com estórias da Cigana no Polo Caruaru


Você conhece a lenda da flor do Natal? E a origem do pinheirinho e suas luzes? Pois no próximo domingo (10), Gabriela Kopinits - a Cigana Contadora de Estórias - vai contar essas e outras estórias na Festa do Comércio do Polo Caruaru.
Carioca radicada em Caruaru, Gabriela, que também é autora infantil, vai trazer, entre suas narrativas, um pouco do começo dessa festa, revivida pelo Polo. “Quando eu vim para cá, a Festa do Comércio já não era mais realizada, mas ficou na memória afetiva do povo - e na própria história do município - como um momento lindo, de congraçamento entre as famílias no centro da cidade, com uma programação cultural e social riquíssima. Poder fazer parte disso, nessa nova roupagem, é uma honra”, comentou a contadora de estórias, que se apresenta às 14h.
A Festa do Comércio do Polo vai até o dia 31 de dezembro. Além de contação de estórias, a programação tem shows de artistas e de calouros, parque de diversões, retretas no coreto, pastoril e até a Monga, a Mulher Gorila, atração que durante anos assustou e divertiu os foliões. A entrada é franca. O centro de compras fica na Rodovia BR 104, km 62.

Guanabara Comunicação
Imagem:  Allison Lima


quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Uma estória de magia e amor contada por quatro contadores encantados


Hades e Persephone by Alexandra V Bach
Esta estória nasceu depois de uma sessão do Storytelling Club da Cultura Inglesa Caruaru, que fiz com alunos de turmas de inglês intermediário e avançado. Usei a técnica do baú do tesouro, onde vários objetos são colocados dentro de um baú (ou uma cesta, uma bolsa, uma caixa, etc). O meu baú dos tesouros tem vários objetos representativos de vários estórias que já contei, como a lâmpada do Aladim, o gorro do Pequeno Polegar, o nariz da bruxa de João e Maria, um anel de cristal "cabelo de fada" (quartzo rutilado), um biscoito encolhedor de Alice no País das Maravilhas, a varinha de condão da Fada Azul de Pinóquio, um colar de sereia, a tikka da Sherazade, o macaquinho que não conseguia dormir, um isqueiro mágico (da estória escrita por Andersen), o bracelete da Pocahontas, a abóbora da Cinderela e um pedaço de arco-íris.

Cada um dos meus alunos tirou um objeto. Pedi que eles olhassem bem seu objeto e imaginassem sua estória, de onde vieram. Depois de alguns minutos, a magia começou o seu trabalho. Cleyton, do Pre-Intermediate, pegou o  nariz da bruxa e o anel do cristal "cabelo de fada" e foi quem começou a estória: 

"Era uma vez uma mulher muito feia. Ela era muito feia, mas também muito rica. E ela queria se casar com um lindo príncipe. Então, ela foi atrás de uma bruxa na floresta e disse a ela que precisava de algo mágico que a fizesse ficar bonita. A bruxa disse que o que ela queria era algo muito difícil, precisaria de magia muito forte e ela não poderia ajudá-la. Desesperada, a mulher ofereceu tudo que tinha - joias, ouro, dinheiro - mas ainda assim a bruxa recusou. A mulher disse que faria qualquer coisa para se tornar bela.
- Você trocaria seu palácio pela minha cabana? - perguntou a bruxa.
A princípio, a mulher não queria, mas se aquilo era o que a faria conseguir se tornar bela, então que fosse. Ela trocou o seu lindo palácio pela horrenda cabana da bruxa. E a feiticeira deu a ela um anel mágico. Ela deveria deixar o anel exposto à luz da lua e usá-lo no dia seguinte.
A mulher assim fez. Colocou o anel na janela para tomar um banho de lua, mas aí apareceu um macaco...

E Cleyton escolheu dessa forma o próximo contador da estória, escolhendo o objeto tirado do baú do tesouro. Então Janeide, da turma do Advanced, entrou na estória...

O macaco achou o anel tão lindo, brilhando à luz do luar - ele adorava coisas brilhantes - então ele correu e roubou o anel, fugindo pela janela, rápido como um corisco, em direção à floresta.

Na manhã seguinte, quando a mulher acordou, ela percebeu que o anel mágico tinha desaparecido e ela chorou amargamente, pois esse anel era sua única chance de se tornar bela, de conquistar o coração do seu príncipe. Então, ela decidiu procurá-lo, mas, ainda que ela tivesse procurado em todos os lugares, o anel não estava em nenhum lugar. Ela se lembrou que havia uma feira na cidade e talvez ela pudesse encontrar outro objeto mágico para ajudá-la. E lá foi ela...

E Janeide convocou o próximo contador, adicionando a lâmpada mágica do Aladim, o objeto escolhido por Daniela, da turma Upper 1. E Daniela continuou a estória...

Ela comprou uma lâmpada mágica e esfregou-a, até que um gênio apareceu. O gênio disse que poderia conceder-lhe três desejos, mas seu único desejo era tornar-se bela para que pudesse ganhar o coração do príncipe. No entanto, o gênio disse que sua magia não era forte o suficiente para realizar tal milagre, apenas o anel da bruxa poderia fazê-lo. A mulher disse que o tinha perdido. Usando seus poderes, o gênio viu o que aconteceu com o anel e disse-lhe que um macaco o havia roubado na noite em que ela o havia colocava sob o luar. O macaco, no entanto, havia desaparecido, nem mesmo a magia conseguiu encontrá-lo. O gênio então lhe disse que sabia de um pó de fada que talvez pudesse ajudá-la. Ele a levou até o reino das fadas e...

Neste ponto, Daniela escolheu o próximo contador, Élida, do Pré-Intermediário 1, que tomou o pó de fadas mágico como seu objeto. Então Élida entrou na estória.

As fadas deram à mulher uma poção mágica feita com pó de fadas mas que, por mais poderosa que fosse, ainda não podia fazê-la linda, mas poderia fazê-la voltar no tempo. A mulher teve uma ideia, ela iria voltar no tempo até o momento em que o pequeno macaco estava prestes a roubar o anel. A mulher então tomou a poção e voltou no tempo. Ela correu para o anel e o escondeu em um lugar seguro para que o macaco - ou qualquer outra pessoa - não conseguisse pegá-lo.

Na manhã seguinte, estava chovendo e havia um lindo arco-íris no céu. O anel refletia todas as suas cores.

Foi assim que Élida devolveu a estória para mim, que havia escolhido um pedaço de "arco-íris" - um laço colorido, da bandeira peruana de Cusco, a capital do Império Inka.

As cores refletiam não só sobre o anel no dedo da mulher, mas também sobre ela, criando uma ilusão de mágica, uma aura de fadas, tornando-a a mais bela criatura do mundo. Então, quando o príncipe a viu, ele ficou tão encantado, tão enfeitiçado por sua beleza mágica, por todas as cores magníficas que a rodeavam, que imediata e irremediavelmente ele se apaixonou por ela. Eles se casaram e ele fez dela sua princesa. E eles viveram felizes, magicamente, para sempre. E é assim que a estória termina.

Quando terminamos a nossa estória, estávamos tão emocionados, tão tocados pela nossa criação, que bateram palmas, felizes e orgulhosos do nosso trabalho. Posso dizer que foi um dos mais belos momentos de narração da minha vida. Abençoados sejam todos, meus quatro mágicos e encantados cantadores de estórias!
Caruaru, 20 de maio de 2011 / Cultura Inglesa Caruaru
English and original version

A story of magic and love told by four enchanted tellers
Gabriela the Brazilian Gypsy Storyteller
After telling The Flower of Honesty story, at our Storytelling Club (every Friday at Cultura Inglesa Caruaru’s Library), I showed my chest of treasures full of objects borrowed from stories and tales I had told. I showed all the objects – Aladdin’s lamp, Tom Thumb’s hat, a witch’s nose (from Hansel and Gretel), a fairy hair crystal ring, an Alice in Wonderland’s shrinking cookie, the Blue Fairy wand (from Pinocchio), a mermaid’s necklace, Sheherazade’s tikka, the little monkey that wouldn’t let his dad sleep, a magical lighter (from the Tinderbox story), Pocahontas’ bracelet, Cinderella’s pumpkin and a piece of rainbow – and asked each one to choose an object.
Cleyton – from Pre-Intermediate – picked a witch’s nose and a fairy hair crystal ring and began weaving the story…
Once upon a time there was a very ugly woman. She was very ugly but also very rich. And she wanted to marry a beautiful prince. So she went after a witch, in the forest, and told her she needed something magical to make her beautiful. The witch said what she wanted was something very difficult, needed a lot of magic and she couldn’t help her. Desperate, the woman offered everything she had – jewels, gold, money – but still the witch refused. The woman said she would do anything to become beautiful.
- Would you trade your palace for my hut? – asked the witch.
At first, the woman didn’t want but if that was what it would take for her to become beautiful, so be it. So she traded her beautiful palace for the horrible witch’s hut. And the witch gave her a magical ring. She should put the ring under the full moon light and wear it the next day.
The woman did as she was told and put the ring at the window so it would catch the moonlight but then there was a monkey…
And Cleyton chose the next storyteller by prompting another object: a little toy monkey. So Janeide – from the Advanced class – stepped in.
The monkey found the ring so beautiful, shiny with the moonlight – he loved pretty shiny things – so he ran and stole it. And through the window the little monkey went, speedy as light, heading for the forest.
The next morning, when the woman woke up, she realized the magical ring was gone and she wept bitterly, for that ring was her only chance of becoming beautiful, of conquering her prince’s heart. So she decided to look for it, but, even though she searched everywhere, the ring was nowhere to be found. She remembered there was a town fair and maybe she could find another magical object to help her. And there she went.
And Janeide prompted the next teller, by adding a magical lamp, the object chosen by Daniela, from Upper 1 class. And Daniela continued the story…
She bought a magical lamp and rubbed it, until a genie appeared. The genie said he could grant her three wishes but her only wish was to become beautiful so that she could win her prince’s heart. But the genie said his magic wasn’t strong enough to perform such a miracle, only the witch’s ring could do it. The woman said she had lost it. Using his powers, the genie saw what had happened to the ring and told her that a monkey had stolen it on the night she put it under the moonlight. The monkey  had disappeared, not even magic was able to find it. The genie, then, told her he knew of a fairy dust that maybe could help her. So he took her all the way down to fairyland and…
At this point, Daniela chose the coming teller, Élida, from Pre-Intermediate 1, who had taken the magical fairy dust as her object. So Élida stepped in.
The fairies gave the woman a magical fairy dust potion that, powerful as it was, still couldn’t make her beautiful, but could turn back time. The woman had an idea, she would go back in time until the moment the little monkey was about to steal the ring. So the woman drank the potion and went back in time. She ran to the ring and hid it away, in a safe place, so the monkey – or anybody else – couldn’t get it.
The next morning, it was raining and there was a beautiful rainbow at the sky. The ring reflected all of its colours.
That´s how Élida got back to me, who had ended up with a piece of “rainbow” – a coloured lace, from the Peruvian’s Cusco’s flag.
The colours reflected not only on the ring on the woman’s finger but also on her, creating an illusion of a magical, fairy aura, making her the most beautiful creature of the worlds. So when the prince saw her, he was so enchanted, so bewitched by her magical beauty, by all the magnificent colours surrounding her, that immediately, helplessly, he fell in love with her. He married her and made her his princess. And they lived happily, magically, ever after. And that’s how the story ends.
When we finished our story, we were all so moved, so touched by our creation that we clapped our hands, happy and proud of our work. I can tell you it was one of the most beautiful storytelling moments of my life. Blessed be them all, my four magical, enchanted tellers!

Caruaru, 20th May 2011 / Cultura Inglesa Caruaru
https://culturainglesacaruaru.wordpress.com/2011/05/22/a-story-of-magic-and-love-told-by-four-enchanted-tellers/

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Sábado tem a Cigana Contadora de Estórias no Maior e Melhor São João do Mundo!

A Cigana Contadora de Estórias - Foto: Victor Vargas

Opa! No próximo sábado (10), às 17h, vou estar no Polo Infantil que a Prefeitura de Caruaru montou na Estação Ferroviária para entreter a meninada durante o Maior e Melhor São João do Mundo. Vou apresentar o espetáculo “Facécias do povo: contos populares do Brasil”, sessão de contos de minha autoria e do maravilhoso folclorista Luiz da Câmara Cascudo.

Esta vai ser a primeira vez que vou me apresentar no Maior e Melhor São João do Mundo e estou preparando um presente que vai divertir bastante quem vier ouvir minhas estórias 😊

Espero você lá! A foto é de Victor Vargas/Guanabara Comunicação.

Conto: "A mulher que colecionava domingos", de Cristina Porcaro

  Ela se chamava Isadora, mas poderia se chamar Flora, Ana ou mesmo Sossego e tinha o hábito de, estranhamente, colecionar domingos. Não em ...