sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Poesia: "A lenda da mandioca"

Esta linda poesia conta a origem da mandioca - para nós, aqui de Pernambuco, macaxeira e para o povo do Sul, aipim. 
Eu a encontrei no site Universo do Cordel. Outra versão em prosa, que achei muito interessante, foi a do livro "Caldeirão de Histórias", de Priscila Camargo, da Ed. Rocco.


Numa tribo certa vez

Ocorreu a gravidez
Da filha de um cacique
Sendo ela não casada
De pronto, é interpelada
Para que ao pai se explique

"Com ninguém tive contato
Nunca pratiquei o ato"
Insistia a indiazinha
Pro seu pai era maldita
Pois nela não acredita
Que sina a da pobrezinha

Um sonho o chefe tem
Uma voz a ele vem:
"Na filha creia, meu caro"
Transcorrida a gestação
É menina, que emoção
O bebê branquinho, claro

O espanto foi geral
Porque era especial
De cor incomum ali
Pr'aquele bebê nascido
Um nome foi escolhido
Batizaram de Mani

Já era muita surpresa
A pele alva, pureza
Que a neném apresentava
Não bastasse, já sabia
Caminhar, quando nascia
Ademais, também falava

Ainda com tenra idade
Ano e pouco, que maldade
Aquela pobre inocente
Sem doença, sem razão
Prostrou-se naquele chão
E dormiu eternamente

Uma morte fulminante
Sem aviso, num instante
Para aldeia grande abalo
Na própria oca enterrada
Seu sepulcro a mãe amada
Todo dia ia regá-lo

Algum tempo se passou
No dito lugar brotou
Vegetal desconhecido
Aquela terra escavaram
Contudo não encontraram
O corpo do ser querido

De novo, a tribo se espanta
Raízes grossas da planta
Naquele solo surgiram
Por fora casca marrom
Miolo de branco tom
Assustados, ele viram

Cozinharam as raízes
E, provando, bem felizes
Bradaram: "isso é presente
Por Tupã foi enviado
Merece ser celebrado
Pois mata a fome da gente"

A homenagem foi feita
A menininha a eleita
Sua memória se enfoca
Na oca a raiz nasceu
Dessa forma recebeu
Este nome: "Manioca"

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Hora do Conto com Teatro de Fantoches

Optcha!

Foi muito legal a Hora do Conto, ontem, na Biblioteca Álvaro Lins, com as crianças do Pré I da Escola do Sesc (Profª Isabela). A estória contada foi "O Príncipe Canário", do escritor Ítalo Calvino, que você confere aqui: http://ciganagabriela.blogspot.com.br/…/conto-o-principe-ca….
A técnica utilizada foi a do teatro de fantoches.
Esse teatro eu fiz no final de semana - com a colaboração preciosa dos meus pequenos amores - com material reciclável e coisas que eu já tinha em casa, como papelão, palitos de churrasco, pedaço de uma saia velha (a cortina), tinta acrílica, cola branca, cola quente e jornal para empapelar. Os fantoches foram feitos com caixinhas de pasta de dente, palitos de picolé, bolinhas de isopor para a cabeça, tinta acrílica, glitter, tinta 3D, papel machê caseiro (cola+água+papel higiênico), lã, papelão e TNT.
Foi muito divertido e as crianças gostaram bastante 
Na próxima semana, eu volto à Biblioteca Álvaro Lins para contar estórias de terror e assombração para as crianças do Projeto Habilidades de Estudo - PHE/Sesc Caruaru.
Que vivam as estórias!

As fotos são de Victoria Vargas.











terça-feira, 23 de agosto de 2016

Domingo tem a Cigana Contadora de Estórias no Recife Antigo


No próximo domingo (28), às 16h, a Cigana Contadora de Estórias, personagem da escritora e jornalista Gabriela Kopinits, vai estar no XIV Festival Recifense de Literatura "A Letra e a Voz", que acontece a partir desta quarta-feira (24) no Recife Antigo. O evento, promovido pela Prefeitura do Recife, este ano terá como tema as mulheres e o objetivo é divulgar e incentivar a produção literária feminina. Gabriela vai contar estórias do seu livro “Era uma vez...” e “A casa mágica”, de Maria Amélia de Almeida, ambos da Cepe Editora, uma das parceiras do festival.

Além da contação de estórias, haverá palestras, debates, oficinas literárias e uma feira de livros com dezenas de expositores. O XIV Festival Recifense de Literatura “A Letra e a Voz” será realizado na Av. Rio Branco, no Bairro do Recife Antigo, e também em bibliotecas públicas da capital. O horário do evento é diferenciado: na quarta e na quinta, será das 17h às 21h; na sexta, das 14h às 21h; e no sábado e domingo, das 9h às 21h.

Guanabara Comunicação

Foto: Victor Vargas

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Conto: "Como Pedro Malazartes impediu que o mundo desabasse"

Vinha Pedro Malasartes viajando por uma estrada, quando em certa altura deu-lhe vontade de verter água. Encostou-se a um grande paredão pertencente a uma bonita quinta. E, quando estava no melhor, apareceu o dono da chácara muito zangado a perguntar-lhe quem lhe tinha dado ordem para fazer aquilo ali.
Pedro disfarçou e respondeu:
-Ah! meu senhor desde manhã que estou aqui encostado sem comer, nem beber só por causa dos outros.
-Por causa dos outros? Então como é lá isso?
-Estou escorando o mundo.
-Você está doido!
-Pois é verdade, patrão! Vinha eu caminhando no meu quieto mas, quando cheguei neste lugar me apareceu a figura de um anjo que veio descendo do céu e que me disse estas palavras:
-Por ordem do Senhor Deus o mundo vai acabar à meia-noite de hoje. Imagine o susto que não levei! Mas o anjo me aquietou: tem remédio para se evitar isto: é encontrar alguém que escore este muro desde este momento.
” Só por isso não seja a dúvida respondi vou cortar uma estaca…
-Não, não há tempo. Antes de um minuto o muro deve estar escorado. E me empurrou para aqui onde me acho, sem poder arredar pé, pois, se saio o mundo vem abaixo.
-Deveras!
-Ah! se o patrão me fizesse o favor de tomar o meu lugar enquanto eu vou ali no mato cortar uma escora, tudo estava arranjado mesmo porque se eu aqui ficar por mais tempo, não resistirei e com a minha morte o mundo virá abaixo e ninguém escapará.
O homem pensou e resolveu tomar o lugar de Pedro que prometeu voltar logo com a escora, e até hoje está sendo esperado.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Conto: "Pedro Rimales, o curandeiro"


Este conto vem lá da Venezuela e ganhou versão em português pela Ed. Ática.

"Certo dia, Pedro Rimales chegou a um país muito distante, cansado e sem um centavo. Então decidiu fingir-se de curandeiro para ganhar alguns tostões e não morrer de fome.
“Alguns tostões? Numa dessas até fico rico e poderoso”, pensou. Espalhou o boato de que era dotado de grande sabedoria, de que conhecia todas as doenças possíveis e imagináveis e de que curava com remédios misteriosos.
Mas não apareceu ninguém. Nem mesmo um simples doente com tosse.
Soube, então que o rei desse país muito distante tinha mania de médico e que todos os doentes, querendo ou não, tinham que esse tratar com ele.
“Tanto melhor”, pensou Pedro Rimales. “Se eu chegar a curar algum doente que o rei não tenha curado, até rei poderei vir a ser.”
E certa manhã, justamente aconteceu que um homem desse país distante acordou com muita preguiça e sem nenhuma vontade de trabalhar.
- Estou morrendo! – gritou. E atirou-se ao chão, fazendo-se de morto.
Cada vez que alguém se aproximava para vê-lo, o homem prendia a respiração e ficava duro.
- Está morto – diziam todos.
Pedro Rimales se pôs a observá-lo e percebeu que, quando não havia ninguém por perto, a camisa do morto subia e descia com sua respiração. Pra cima e pra baixo, pra cima e pra baixo.
- Por que não chamam o rei para curá-lo? – perguntou Pedro Rimales.
- E pra quê? Está louco, moço? Não está vendo que o homem está morto?
Pedro Rimales sorriu, com ar de mistério e disse:
- A morte é uma doença que também pode ser curada. Se a gente souber com quê, é claro.
Todo mundo ficou pasmo. Havia alguém capaz de curar a morte?
- Então cure o homem que acaba de morrer – disse alguém.
- Eu faria isso, mas o rei pode se zangar. Talvez até mandasse me matar.
- Mas se você pode curar o homem, é sinal de que o rei também pode – replicaram.
E foram buscar o rei. Este chegou pouco depois, numa carruagem cheia de potes de ungüento, caixinhas de pós e ervas mágicas. Fez o morto cheirar sais, untou-o com pomadas e tentou fazê-lo tomar uma poção especial. Porém o preguiçoso, cansado de se fazer de morto, havia caído em sono profundo e nenhuma das misturas do rei conseguiu fazê-lo acordar. Furioso, o rei chamou Pedro Rimales:
- Tente você, agora. Mas se não conseguir pôr o morto de pé, farei com que dêem uma surra. Assim acabará toda a sua vontade de fazer-se passar por curandeiro.
Pedro Rimales enfiou um montão de folhas de diferentes plantas numa cuia e misturou tudo com água do rio. Acendeu um charuto e por três vezes soprou fumaça na cuia. Aproximou-se do morto com a outra mão, sem que ninguém percebesse, apagou o charuto no traseiro do homem.
Ao sentir a terrível dor da queimadura, o morto deu um berro e ficou de pé num pulo. As pessoas mal podiam acreditar no que estavam vendo. E Pedro Rimales foi aclamado rei, recebendo sua coroa e seu manto.
Ele reinou por muitos e muitos anos naquele país tão distante, até que um dia, farto de receber embaixadores e de dançar a valsa, resolveu ir embora. Tirou a coroa e o manto e foi correr o mundo."

(ORAMAS, Rafael Ribeiro. Pedro Rimales, o curandeiro. In: Contos populares para crianças da América Latina. 2ed. Trad. e adaptado por Neide T. Maia Gonzáles. São Paulo, Ática, 1985. P.66-71)

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Conto: "Boneca de crochê"

Um homem e uma mulher estavam casados por mais de 60 anos. Eles tinham compartilhado tudo um com o outro. Não havia segredos entre eles, com exceção de uma caixa de sapato que a mulher guardava em cima de um armário e tinha avisado ao marido que nunca abrisse aquela caixa e nem perguntasse o que havia nela. 
Por todos aqueles anos ele nunca nem pensou sobre o que estaria naquela caixa de sapato. 
Um dia a velhinha ficou muito doente e o médico falou que ela não sobreviveria. Sendo assim, o velhinho tirou a caixa de cima do armário e a levou pra perto da cama da mulher. Ela concordou que era a hora dele saber o que havia naquela caixa.
Quando ele abriu a tal caixa, viu 2 bonecas de crochê e um pacote de dinheiro com 95 mil dólares. Ele perguntou a ela o que aquilo significava, ela explicou:
- Quando nós nos casamos minha avó me disse que o segredo de um casamento feliz é nunca argumentar/brigar por nada. E se alguma vez eu ficasse com raiva de você que eu ficasse quieta e fizesse uma boneca de crochê.
O velhinho ficou tão emocionado que teve que conter as lágrimas enquanto pensava 'Somente 2 bonecas preciosas estavam na caixa. Ela ficou com raiva de mim somente duas vezes por todos esses anos de vida e amor.'
- Querida!!! - Você me explicou sobre as bonecas, mas e esse dinheiro todo de onde veio?
- Ah!!! Esse é o dinheiro que eu fiz com a venda das bonecas, só sobraram duas.
Autoria desconhecida

Bom público e atividades de qualidade marcaram a Fenagreste - Blog do Wagner Gil

Publicado em 17 de agosto de 2016

Conto: "A mulher que colecionava domingos", de Cristina Porcaro

  Ela se chamava Isadora, mas poderia se chamar Flora, Ana ou mesmo Sossego e tinha o hábito de, estranhamente, colecionar domingos. Não em ...