terça-feira, 13 de outubro de 2009

Matéria: "Hábito da leitura vem de berço"

Saiu na Revista do JC - Jornal do Commercio - deste final de semana, um dos maiores jornais em circulação em Pernambuco, uma matéria bem interessante sobre a importância de incutir o gosto pelos livros entre os pequenos. É um hábito que vem de berço mesmo. Pais leitores geram filhos leitores. Leia a matéria na íntegra:


Hábito da leitura vem de berço
Publicado em 11.10.2009

A melhor forma de despertar nos pequenos o gosto pelo mundo da literatura é mergulhar nele: filhos que crescem vendo os pais curtirem os livros, viram leitores ávidos

Bruna Cabral

bruna@jc.com.br

Era uma vez um menino que, desde cedo, descobriu nas letras sua brincadeira favorita. A princípio, o abecedário não fazia mais que aparar suas quedas. Era um tapete macio que decorava o quarto e aguçava a curiosidade do pequeno brincalhão. Depois, vieram os livrinhos de plástico para o banho e os de papel para todas as horas. Não demorou muito e os gibis viraram a companhia mais requisitada do menino que crescia cercado de letrinhas. Com uma forcinha da mãe e da avó, ele alfabetizou-se cedo. Aos 4 anos, já lia de tudo. E nunca mais parou. Seis anos depois, o menino já tem uma coleção enorme de livros na prateleira. E outra maior ainda no juízo.

Essa história é real e seu protagonista é Vinícius, filho da estilista Carol Azevedo, que lê, em média, sete livros por mês, das aventuras do bruxinho Harry Potter aos clássicos policiais estrelados por Sherlock Holmes. “Ele gosta de ser CDF. Dorme de óculos e já acorda lendo”, comemora a mãe, certa de que livros são escadas que Vinícius já começou a subir na vida. Aliás, certíssima. Segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada entre novembro e dezembro de 2007 e divulgada no ano passado pelo Ibope Inteligência, um em cada três leitores adquire o hábito com os pais. Com 5 anos de idade em diante, 49% dos 5.012 entrevistados admitiram ter sido sua mãe a maior incentivadora da leitura por prazer.

Um papel que a pesquisadora Patrícia Bandeira de Melo, mãe de Pedro Antero, 8, assumiu sem economizar esforços. “Para mim, era essencial que ele gostasse de ler”, conta Patrícia, que apelou para o arsenal completo dedicado a iniciantes: dos tapetes com letras de plástico aos gibis.

“Também fiz questão de contar muitas histórias para ele dormir, das mais bobinhas a clássicos como O mágico de Oz.” O resultado não tardou a aparecer. Corujices maternas à parte, Pedro Antero é a criatividade ambulante. Vive encarnando os mais diversos personagens nas festinhas familiares e até já montou em casa uma verdadeira editora de gibis, na qual assume, sem reclamar das extenuantes jornadas de trabalho, os postos de editor, desenhista e roteirista. “De livro em livro, brincadeira em brincadeira, tenho certeza de que ele será um profissional diferenciado, seja lá qual for a carreira que escolher”, prevê a mãe.

Para Tomás Manzi, 10, a vida sem livros também seria inviável. Na verdade, pouquíssimo prazerosa. Leitor voraz, ele é do tipo que esquece até de tomar banho e comer quanto está no meio de uma boa história. “Às vezes, inventa de sair de casa com o livro debaixo do braço e, se eu não cuidar, ele atravessa a rua sem tirar o olho do texto”, conta a mãe Cristiane Gueiros, advogada e, não por acaso, fã incondicional dos mais diversos tipos de literatura. “Aqui em casa, quem leu primeiro a coleção inteira de Harry Potter fui eu”, conta Cristiane, que virou atração na escola dos filhos. “Até hoje as crianças ficam me perguntando coisas sobre os livros, tirando dúvidas. Elas acham o máximo um adulto gostar de Harry Potter.” A coleção, diga-se de passagem, já deixou de ser de Cristiane faz tempo. Tanto Tomás, quanto o irmão, Samuel, 7, já se renderam aos encantos do pequeno, aliás, ex-pequeno bruxo.

Mais que algumas histórias, o que Cristiane quer compartilhar com os filhos é um hábito. “Ficaria complicado dizer a Tomás e Samuel que eles precisam ler, se ninguém em casa tivesse o hábito.” O melhor exemplo, garante, é a prática.

E isso vale tanto para a leitura offline quanto para a online. “Eles navegam à vontade, mas estou sempre orientando. Digo que internet é como um martelo, que pode ser usado para bater um prego e pendurar um quadro na parede ou para meter na cabeça do colega e fazer um estrago enorme.” O valor de toda ferramenta, diz a mãe zelosa, depende do uso que a gente faz dela.

Um mérito inquestionável da internet, segundo a coordenadora pedagógica da escola Apoio, é fazer circular uma quantidade enorme de informações no mundo inteiro. “Nunca se teve tanto conhecimento à disposição como hoje”, diz. Melhor para as crianças, que têm a faca e o queijo na mão desde muito cedo, aliás, lazer e aprendizado. “A leitura desenvolve senso crítico, forma cidadãos mais pensantes, mais atuantes, além de ser um acesso para o que há de mais belo na humanidade”, diz Rejane, que, com a equipe de professores da escola, se desdobra em projetos para estimular a leitura.

Para os mais novos, são realizadas as rodas de leitura, em que são lidos e discutidos clássicos de Manuel Bandeira, Olavo Bilac e até Ítalo Calvino. “Engana-se quem pensa que criança digere só coisa boba.” Para os mais velhos, as professoras mandam livros para serem lidos e depois traduzidos em desenhos ou textos em casa. “Sem falar nas aulas de literatura”. Tudo culmina numa publicação com textos e ilustrações dos próprios alunos, editado ao final de cada ano.

Na escola Exponente, a leitura também é tão valorizada, que todos os estudantes têm aula na biblioteca a cada 15 dias. Uma das atividades prediletas de Luca Leitão, 5, e Frederico dos Santos, 4, que, apesar da pouca idade, já têm a foto estampada nos corredores do colégio como os leitores mais assíduos do mês. Dedicadíssimos aos livros, eles vivem na biblioteca e consideram os livros uma brincadeira das mais divertidas. De livro em livro, Luca já aprendeu a escrever o nome inteiro, antes mesmo de chegar à alfabetização. Seu predileto? “Todos de dinossauro”, diz, sem nem tirar os olhos de uma dessas publicações jurássicas. Com a ajuda dos livros, diz uma das coordenadora da instituição, Liane Niceas, a aquisição de conhecimento torna-se um processo mais prazeroso, que não fica restrito aos muros da escola.

É por isso que as professoras Patrícia Pompílio, Estela Santos e os filhos das duas não perdem uma edição que seja da Bienal do Livro de Pernambuco. A feira, que acaba amanhã, no Centro de Convenções, está repleta de atrações para a criançada em todos os estandes. E, principalmente, no primeiro andar, onde fica a Cidade do Livro, com contação de histórias e oficina de produção de publicações.

Este ano, a caravana dos Pompílios e dos Santos visitou a feira logo na abertura. “Ler é um hábito que precisa ser estimulado desde cedo”, disse Patrícia. E fez: só na bienal, cada um dos três filhos ganhou dois livros. O difícil foi escolher.

Para criar futuros leitores
Publicado em 11.10.2009

Sem estímulo, não há leitores. Para despertar nos pequenos o prazer que os livros podem proporcionar, o mais importante, garantem os pedagogos, é respeitar o ritmo da criançada. Os mais novos gostam de livros cheios de figuras e, de preferência, interativos. Já para os mais velhos, as ilustrações vão perdendo, gradativamente, a importância. O melhor, para não desencorajar leitores iniciantes, é atender a pedidos quando for à livraria. Assim se equilibra interesse e aprendizado. Confira algumas opções fofas de livros lançados recentemente.J

1 A publicação é ilustrada em scanimation, que garante movimento às figuras. Ed. Sextante Infantil. Preço sugerido: R$ 24,90

2 De Valéria Belém, Feita de pano mostra que a vida é a costura de pequenos momentos. Da Companhia Editora Nacional. Preço sugerido: R$ 23

3 Conta a história de um lugar onde tudo é exagerado, o livro é ilustrado por Marcos Garutti. Editora Lazuli. Preço sugerido: R$ 16

4 Escritora Rosa Amanda Strausz, em Nico, fala de vaidade na infância. Editora Larousse. Preço sugerido: R$ 21,50

5 Primeira obra de Ziraldo, o livro foi relançado com capa nova. Editora Melhoramentos. R$ 59

6 Em pop up, a publicação conta – e monta – a história da arca de Noé. Da Sociedade Bíblica do Brasil. Preço sugerido: R$ 29,80

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Link: http://jc3.uol.com.br/jornal/2009/10/11/not_350370.php

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Prêmio SESC de Literatura



Inscrições até 30 de setembro de 2009!!!

O PRÊMIO
Revelar novos talentos e promover a literatura nacional são propósitos do Prêmio SESC de Literatura. Lançado pelo SESC em 2003, o concurso identifica escritores inéditos, cujas obras possuam qualidade literária para edição e circulação nacional. Além da divulgação das obras, o Prêmio SESC também abre uma porta do mercado editorial aos estreantes: os livros vencedores são publicados pela editora Record e distribuídos para toda a rede de bibliotecas e salas de leitura do SESC e SENAC em todo o país. Mais do que oferecer uma oportunidade a novos escritores, o Prêmio SESC de Literatura cumpre um importante papel na área de cultura, proporcionando uma renovação no panorama editorial brasileiro.

PARTICIPE
Aos autores iniciantes, que ainda não tiveram chance de mostrar ao público suas idéias e sua criação, este é o caminho. As inscrições para o Prêmio SESC de Literatura são gratuitas e aceitas em todo o Brasil. Basta procurar a unidade mais próxima do SESC na sua cidade. Cada concorrente pode participar com uma obra, nas categorias conto e romance. O vencedor terá seu livro publicado e distribuído pela editora Record. Participe! Esta pode ser a chance de sua obra chegar às principais livrarias do país. Confira as regras do concurso no edital.

Informações:
http://www.sesc.com.br/premiosesc/index.html

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Conto: "O sermão de Nasrudin"

Certo dia, os moradores do vilarejo quiseram pregar uma peça em Nasrudin. Já que era considerado uma espécie meio indefinível de homem santo, pediram-lhe para fazer um sermão na mesquita. Ele concordou. Chegado o tal dia, Nasrudin subiu ao púlpito e falou:
"Ó fiéis! Sabem o que vou lhes dizer?"
"Não, não sabemos", responderam em uníssono.
"Enquanto não saibam, não poderei falar nada. Gente muito ignorante, isso é o que vocês são. Assim não dá para começarmos o que quer que seja", disse o mullá, profundamente indignado por aquele povo ignorante fazê-lo perder seu tempo. Desceu do púlpito e foi para casa.
Um tanto vexados, seguiram em comissão para, mais uma vez, pedir a Nasrudin para fazer um sermão na sexta feira seguinte, dia de oração.
Nasrudin começou a pregação com a mesma pergunta de antes.
Desta vez, a congregação respondeu numa única voz: "Sim, sabemos."
"Neste caso", disse o mullá, "não há porque prendê-los aqui por mais tempo. Podem ir embora." E voltou para casa.
Por fim, conseguiram persuadi-lo a realizar o sermão de sexta feira seguinte, que começou com a mesma pergunta de antes.
"Sabem ou não sabem?"
A congregação estava preparada.
"Alguns sabem, outros não."
"Excelente", disse Nasrudin, "então, aqueles que sabem transmitam seus conhecimentos àqueles que não sabem."
E foi para casa.
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Extraído do livro "Histórias de Nasrudin"

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Ziraldo estreia programa de incentivo à leitura

Ziraldo e algumas de suas criações, por ele mesmo

O cartunista Ziraldo, criador da Turma do Pererê e do Menino Maluquinho, entre outras obras, estreou no último domingo (23), ao meio-dia, na TV Brasil, o programa "ABZ do Ziraldo". Fiquei encantada com o que assisti. A proposta é incentivar nas crianças e jovens a leitura, através da apresentação de livros, autores e contadores de estórias.

Veja que beleza o pensamento do cartunista: “Meu sonho é tornar o Brasil um país de leitores. Ler é um prazer e não sacrifício. Espero, nessa altura da vida, e através deste projeto, ajudar a criança brasileira a não crescer analfabeta”.

Leia a matéria sobre o programa publicada no site da Empresa Brasileira de Comunicação:

TV Brasil lança ABZ do Ziraldo

EBC / TV Brasil - 18/08/2009

Dentro do projeto de renovar sua programação, a TV Brasil lançou nesta segunda (17), o ABZ do Ziraldo . Com a presença do cartunista e escritor Ziraldo, de escritores de literatura infantil, de contadores de história e de crianças, o lançamento se transformou em uma grande festa no Espaço Cultural da sede da emissora, no Rio de Janeiro. O ponto alto do evento foi a apresentação do Coral Maluquinho que, sob o comando do maestro Ronald Valle, cantou a música tema do programa, recebendo aplausos da plateia.
Desejando boa sorte a Ziraldo, a presidente da EBC – Empresa Brasil de Comunicação, jornalista Tereza Cruvinel, se referiu ao programa como o carro chefe de uma comitiva de novos programas da TV Brasil que, segundo ela, vai formar um comboio vitorioso.
“ Toda TV pública investe nas crianças e aqui não seria diferente. Queremos oferecer um programa de qualidade, principalmente para as crianças que não possuem TV paga”. Ao final, ela agradeceu a FBL Criação e Produção e ao Ziraldo, pela parceria com a TV Brasil.
Depois de mais uma apresentação musical das crianças que cantaram Tim Maia e João Bosco, foi a vez de Ziraldo falar:
“Esse programa não tem compromisso com o lucro, não queremos ganhar, queremos é levar algo diferente para as famílias. O ABZ do Ziraldo , assim como meus livros, não é feito somente para o público infantil. Meu trabalho é voltado para toda a família”.
“Meu sonho é tornar o Brasil um país de leitores. Ler é um prazer e não sacrifício. Espero, nessa altura da vida, e através deste projeto, ajudar a criança brasileira a não crescer analfabeta”, completou.
O ABZ do Ziraldo estreia neste domingo, 23, às 12h, na TV Brasil. Além do Coral Maluquinho o programa terá a presença de uma plateia formada por crianças da rede pública, escritores infantis e contadores de história que vão ajudar Ziraldo nesse novo trabalho voltado para a leitura.

sábado, 22 de agosto de 2009

Contação de estórias na Feira de Livros

A Cigana Contadora de Estórias - foto: Layanna Florêncio

Ontem fui contar estórias na Feira de Livros da Livraria Estudantil aqui em Caruaru. Foi uma aventura... hehehe... Eu tinha me preparado para me apresentar para crianças de 9 e 10 anos. Passei as últimas duas semanas selecionando o repertório e acabei me decidindo por um programa de quatro contos: "O Macaco e a Banana", de Câmara Cascudo; "Pedro Malasartes e a Sopa de Pedra", de Ana Maria Machado; "Quem tudo quer, tudo perde", de Câmara Cascudo; e "O Problema dos 35 Camelos", de Malba Tahan. Ensaiei o repertório, estava tudo nos trinques, certa de que ia ser muito legal, as crianças iriam se divertir muito. Qual não foi a minha surpresa ao entrar na livraria e ver um grupo de crianças de 3 a 5 anos? Ih... caraca... pensei. Teria que fazer uma mudança no programa. Ainda bem que, antes da minha apresentação, haveria um grupo de danças. Deu tempo para eu passar os olhos pelos livros e rapidamente refazer a minha programação.

Crianças nessa faixa etária gostam muito de estórias com bichos, estorinhas simples, de magia, estórias engraçadas, com bichos trapalhões.

Comecei então com uma versão mais simples de "O Macaco e a Banana", um conto do tipo acumulativo, que vou depois publicar aqui. Eles se divertiram a valer, principalmente quando o macado ia pedir ajuda e a resposta era sempre um "Não!". No final, quando a Morte foi atrás do caçador, que foi atrás da onça, que foi atrás do cachorro e por aí em diante, eles riram muito.
Crianças do Colégio Contato ouvindo as estórias da cigana Kopinits - foto: Layanna Florêncio

Passei para "O Nariz do Elefantinho". Não sei quem é o autor, ouvi essa estória (postada aqui) da Ilana Kaplan, num dvd que comprei para a minha filha. Eles também gostaram muito!

A terceira foi uma estorinha que sempre faz muito sucesso com a criançada, que é "A Festa no Céu", da tradição popular. Depois, perguntei que estória eles gostariam de ouvir - estratégia que pode ser desastrosa se o contador não for habilidoso, pois as crianças podem pedir estórias que ele não conhece e aí?. As respostas me surpreenderam:

- Nemo! - gritou um pequeno.

- Ben 10! - disse um outro.

- Backyardigans!, pediu uma menininha.

Nemo? Ben 10? Backyardigans? Felizmente, tenho alma infantil o suficiente para saber do que eles estavam falando, mas fiquei surpreendida ao perceber que eram personagens de filmes ou de programas de tv. Traduzindo, aquelas crianças estavam mais antenadas com a tv do que familiarizadas com livros. Tudo bem que crianças de 3 a 5 anos ainda não leem, mas imagino que os pais ou professores na escolinha certamente as colocariam em contato com o mundo da leitura. Mas parece que não é bem assim. Foi uma constatação que me deixou um pouco triste.

Respondi que aquelas estórias eles já conheciam e viam sempre na televisão e, portanto, iria contar uma nova, sobre duas borboletas chamadas Romeu e Julieta, uma estória de Ruth Rocha.

A estorinha fala da bobagem que é fazer distinção de cor, de diferenças, e o melhor é sermos todos amigos, sem preconceitos. Todos gostaram muito, principalmente os professores.

Encerrei a apresentação dizendo a elas que aquelas e muitas outras estórias poderiam ser encontradas nos livros, em livrarias como aquela onde estávamos, e em bibliotecas, como a da escola onde elas estudam. Isso despertou a curiosidade da criançada, que logo foi atrás de ver os livros e descobrir onde estavam as estórias que contei para elas. Uma das mais procuradas foi a da "Festa no Céu".

Dever cumprido, com a certeza de que deixei alguma coisa boa com aquele pessoal. Mas gostaria muito que os pais pudessem empregar um pouquinho mais do seu tempo para apresentar os livros para seus filhos...

De qualquer forma, uma sementinha foi plantada.

Tive outras duas recompensas: um convite para dar um curso de contação de estórias para professores e bibliotecários de um colégio particular da cidade e outro para participar do primeiro FLIC - Festival de Literatura de Caruaru, em outubro, quando espero poder lançar meu primeiro livro destinado ao público infantil: "Galo rouco, tem rato no sino!"

É, esse foi mesmo um dia feliz...

domingo, 16 de agosto de 2009

Cigana Contadora de Estórias na Livraria Estudantil em Caruaru

Vou me apresentar na próxima sexta-feira, dia 21, às 10h, na 10ª Feira de Livros, Cultura e Conhecimento da Livraria Estudantil, aqui em Caruaru. Estou especialmente ansiosa já que passei mais de um ano sem me apresentar formalmente, primeiro por conta da gravidez, depois por estar cuidando do meu bebê.
Tenho lido muito, selecionando o repertório desse dia tão especial para mim, que marca a minha volta à atividade de contadora de estórias, e acabei me decidindo por quatro contos para apresentar para o público convidado: “Pedro Malazartes e a Sopa de Pedra”, “O Macaco e a Banana”, ambos do folclorista Câmara Cascudo, “Os Três Desejos”, do escritor e também contador de estórias Roberto Carlos Ramos, e “O Problema dos 35 Camelos”, de Malba Tahan (que já postei aqui).
Vou estrear figurino novo também. Espero que dê tudo certo.
Depois coloco aqui as fotos e como foi a apresentação.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Conto: "O problema dos 35 camelos"

Esse conto eu li no livro "Novas Lendas Orientais", do Malba Tahan - eita contador de estórias fantástico! Também pode ser encontrado no livro "O Homem que Calculava", do mesmo autor.

"Poucas horas havia que viajávamos sem interrupção, quando nos ocorreu uma aventura digna de registro, na qual meu companheiro Beremiz, com grande talento, pôs em prática as suas habilidades de exímio algebrista.
Encontramos perto de um antigo caravançará meio abandonado, três homens que discutiam acaloradamente ao pé de um lote de camelos.
Por entre pragas e impropérios gritavam possessos, furiosos:
- Não pode ser!
- Isto é um roubo!
- Não aceito!
O inteligente Beremiz procurou informar-se do que se tratava.
- Somos irmãos – esclareceu o mais velho – e recebemos como herança esses 35 camelos. Segundo a vontade expressa de meu pai, devo receber a metade, o meu irmão Hamed Namir uma terça parte, e, ao Harim, o mais moço, deve tocar apenas a nona parte. Não sabemos, porém, como dividir dessa forma 35 camelos, e, a cada partilha proposta segue-se a recusa dos outros dois, pois a metade de 35 é 17 e meio. Como fazer a partilha se a terça e a nona parte de 35 também não são exatas?
- É muito simples – atalhou o Homem que Calculava. – Encarrego-me de fazer com justiça essa divisão, se permitirem que eu junte aos 35 camelos da herança este belo animal que em boa hora aqui nos trouxe!
Neste ponto, procurei intervir na questão:
- Não posso consentir em semelhante loucura! Como poderíamos concluir a viagem se ficássemos sem o camelo?
- Não te preocupes com o resultado, ó Bagdali! – replicou-me em voz baixa Beremiz – Sei muito bem o que estou fazendo. Cede-me o teu camelo e verás no fim a que conclusão quero chegar.
Tal foi o tom de segurança com que ele falou, que não tive dúvida em entregar-lhe o meu belo jamal, que imediatamente foi reunido aos 35 ali presentes, para serem repartidos pelos três herdeiros.
- Vou, meus amigos – disse ele, dirigindo-se aos três irmãos -, fazer a divisão justa e exata dos camelos que são agora, como vêem em número de 36.
E, voltando-se para o mais velho dos irmãos, assim falou:
- Deverias receber meu amigo, a metade de 35, isto é, 17 e meio. Receberás a metade de 36, portanto, 18. Nada tens a reclamar, pois é claro que saíste lucrando com esta divisão.
E, dirigindo-se ao segundo herdeiro, continuou:
- E tu, Hamed Namir, deverias receber um terço de 35, isto é 11 e pouco. Vais receber um terço de 36, isto é 12. Não poderás protestar, pois tu também saíste com visível lucro na transação.
E disse por fim ao mais moço:
E tu jovem Harim Namir, segundo a vontade de teu pai, deverias receber uma nona parte de 35, isto é 3 e tanto. Vais receber uma nona parte de 36, isto é, 4. O teu lucro foi igualmente notável. Só tens a agradecer-me pelo resultado!
E concluiu com a maior segurança e serenidade:
- Pela vantajosa divisão feita entre os irmãos Namir – partilha em que todos três saíram lucrando – couberam 18 camelos ao primeiro, 12 ao segundo e 4 ao terceiro, o que dá um resultado (18+12+4) de 34 camelos. Dos 36 camelos, sobram, portanto, dois. Um pertence como sabem ao bagdáli, meu amigo e companheiro, outro toca por direito a mim, por ter resolvido a contento de todos o complicado problema da herança!
- Sois inteligente, ó Estrangeiro! – exclamou o mais velho dos três irmãos.
– Aceitamos a vossa partilha na certeza de que foi feita com justiça e equidade!
E o astucioso Beremiz – o Homem que Calculava – tomou logo posse de um dos mais belos “jamales” do grupo e disse-me, entregando-me pela rédea o animal que me pertencia:
- Poderás agora, meu amigo, continuar a viagem no teu camelo manso e seguro! Tenho outro, especialmente para mim!
E continuamos nossa jornada para Bagdá."

***
Glossário

Caravançará: refúgio construído pelo governo ou por pessoas piedosas à beira do caminho, para servir de abrigo aos peregrinos. Espécie de rancho de grandes dimensões em que se acolhiam as caravanas.
Bagdali
: Relativo a Bagdá, vindo de Bagdá.
Jamal: uma das muitas denominações que os árabes dão ao camelo.

Ouça a estória "O galo rouco e o rato esperto", da Cigana Contadora de Estórias!

Quer saber quando tem estória nova no blog?

Apresentações de contadores de estórias

Palavra Cantada - O rato
Clara Haddad - O coelho e o baobá

Cia Ópera na Mala - A sopa de pedras do Pedro

Cia Ópera na Mala - Pedro Malazartes e o pássaro raro

Eventos & Cursos

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