sábado, 2 de maio de 2009

Conto: "A festa no céu"

Ilustração de Lúcia G. Maier















Entre todas as aves, espalhou-se a notícia de uma festa no Céu. Todas as aves compareceriam e começaram a fazer inveja aos animais e outros bichos da terra incapazes de voar. Imaginem quem foi dizer que também ia à festa... O Sapo! Logo ele, pesadão e não sabendo sequer correr, seria capaz de subir àquelas alturas! Pois o Sapo disse que tinha sido convidado e que ia sem dúvida nenhuma. Os bichos morriam de tanto rir. Os pássaros, então, nem se fala!Mas o Sapo tinha um plano. Na véspera, procurou o Urubu e esteve bastante tempo a conversar com ele, divertindo-o imenso.
Depois disse:
- Bem, camarada Urubu, quem é coxo parte cedo e eu vou indo, porque o caminho é comprido.
O Urubu respondeu:
- Você vai mesmo?
- Se vou? Claro que sim, lá nos encontraremos!
Em vez de sair, o Sapo deu uma volta, entrou no quarto do Urubu e, vendo a viola em cima da cama, meteu-se lá dentro, encolhendo-se todo.O Urubu, mais tarde, pegou na viola, amarrou-a a tiracolo e bateu asas para o céu, rru-rru-rru...Chegando ao céu, o Urubu arrumou a viola num canto e foi à procura das outras aves. O Sapo espreitou por uma fresta e, vendo que estava sozinho, deu um pulo e veio para a rua, todo satisfeito. Nem queiram saber o espanto que as aves tiveram, ao verem o Sapo a pular no Céu! Perguntaram, perguntaram, mas o Sapo fazia-se desentendido e não adiantava nada. A festa começou e o Sapo saltitou de um lado para o outro, divertindo-se à grande. Pela madrugada, sabendo que só podia voltar da mesma forma que tinha vindo, mestre Sapo foi-se esgueirando e correu para onde o Urubu se havia hospedado. Procurou a viola e acomodou-se, como da outra vez. Ao pôr-do-sol acabou-se a festa e os convidados foram-se embora a voar, cada qual para o seu destino. O Urubu agarrou a viola e rumou para a Terra, rru-rru-rru... Ia a meio do caminho quando, numa curva, o Sapo se mexeu e o Urubu, olhando para dentro do instrumento, viu o bicho lá no escuro, todo curvado, feito uma bola.
- Ah! camarada Sapo! É assim que você vai à festa no Céu? Deixe de ser xico esperto...!
E, àquela altitude, virou a viola. O Sapo começou a cair, acelerando de tal forma que até zunia. E dizia, na queda:
- Béu-Béu! Se desta eu escapar...Nunca mais festas no céu!...
E vendo as serras lá em baixo:
- Afastem-se pedras, se não eu parto-as todas!
Bateu em cima das pedras como um figo maduro, espapaçando-se todo. Ficou em pedaços.
Nossa Senhora, com pena do Sapo, juntou todos os pedaços e fê-lo reviver. Por isso o sapo tem a pele assim, cheia de remendos.

Conto tradicional do folclore brasileiro - Luís da Câmara Cascudo

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Conto: "O avô e o netinho"

Bastante velho já, fatigado por uma longa existência de trabalhos e canseiras, exausto de forças e doente de velhice – porque a velhice é, também, uma doença – estava tio Benedito, o bom e estimado velho tio Benedito: oitenta anos pesavam-lhe às costas, como um grande fardo que ele a custo carregasse.
Na sua mocidade, e mesmo durante parte da velhice, ninguém trabalhara mais que ele, honesto sempre, mourejando, dia e noite, para sustento de sua família.
Não podendo fazer serviço algum, alquebrado pela idade, veio morar em casa de Augusto, seu filho mais moço, já com um filhinho de três para quatro anos, o pequenino e interessante Luís, vivo e esperto como poucos.
Velho e enfermo, qual estava, tio Benedito como que volvera à primeira infância; e, por isso, eram precisos inúmeros cuidados com ele, que mal se sustinha sozinho, trêmulo, muito trêmulo, quase sem poder andar.
Quando se sentava à mesa, para o almoço e para o jantar, derramava sopa na toalha, quebrava pratos e copos, com as mãos fracas, como uma criança arteira e estouvada.
Augusto e sua mulher, Henriqueta, aturavam-no com dificuldade, zangados, contrariados, aborrecidos principalmente com o prejuízo diário que o pai lhes dava.
Afinal, não podendo mais suportar o velho, resolveram comprar uma cuia; e às horas das refeições sentavam-no no chão, perto da mesa, dando-lhes a comida naquela tosca vasilha.
Quando Luisinho, o pequenino, viu que o avô não se sentava mais à mesa, ficou triste, mas não disse palavra. Estranhou aquilo porque a sua almazinha desabrochava formosamente para o bem; e se não manifestou a sua impressão, foi por supor que assim se fazia sempre com os velhinhos, que não se sentavam à mesa, nem comiam em pratos, como os outros.
O pequeno Luís era o único que verdadeiramente estimava o ancião, próximos entre si aquela primavera e aquele inverno, aquela criança e aquele velho, ambos na infância, ambos no crepúsculo da vida.
Dias depois, Augusto e Henriqueta viram o filho entretido a brincar com alguns pedaços de tábuas, um martelo e pregos, como não tinha por costume fazer.
A mãe, estranhando aquilo, perguntou:
– Que estás fazendo aí, Luisinho?
– Estou fazendo um prato, para dar de comer a papai e mamãe, quando eu for grande, e eles já estiverem velhinhos como vovô, respondeu ingenuamente a criança.
Henriqueta e Augusto entreolharam-se confusos, vexados e arrependidos da sua ingratidão, e de novo trouxeram o pai para se sentar à mesa, em sua companhia.
Desde então, trataram-no com todo o respeito, o desvelo e a consideração que os filhos devem aos pais.

HISTÓRIAS DA AVOZINHA
Figueiredo Pimentel, 1896

Pais: os primeiros contadores de estórias

Imagem: Fairy Tales
“Os contos infantis, com suas luzes puras e suaves, fazem nascer e crescer os primeiros pensamentos, os primeiros impulsos do coração. São também contos do lar, porque neles pode-se apreciar a poesia simples e enriquecer-se com sua verdade. E também porque eles duram no lar como herança que se transmite”.

Dizem que isso foi dito pelos irmãos Grimm (Jacob e Wilhelm) que, em 1812, publicaram sua primeira coletânea de contos de fadas, com 86 contos alemães: Kinder und Hausmärchen. E eles estavam certos, pois é em casa que se recebem os primeiros estímulos, entre eles, o de ler. Ler é um hábito e, como tal, precisa ser estimulado e exercitado. Para despertar o interesse da criança, é bom começar logo cedo, desde bebê. Pode-se usar aqueles livrinhos de tecido ou de plástico, com animais bem coloridos, para que a criança possa manusear à vontade.

Livro de tecido com sons e figuras da fazenda, indicado para bebês a partir de 3 meses.


Contar estorinhas curtas, inventadas, malucas, com sons e caretas também é muito bom para despertar o interesse do pequeno. Deixe-o manusear os livros o quanto quiser.

A minha filhinha de 9 meses tem alguns; esse de tecido funciona muito bem. Ela adora ver e tocar as figuras coloridas de bichinhos, enquanto eu imito o som que eles fazem.


Esse, de plástico, é ótimo para os pequenos manusearem à vontade. Podem morder, amassar, sentar em cima, jogar no chão e até molhar. Aliás, esse, da foto, em forma de sapo, já entreteve muito a minha filhinha no banho...

Eu sei que é difícil para os pais, que trabalham o dia todo, conseguirem um tempinho para contar estórias para seus filhos, mas eu insisto que arrumem pelo menos cinco minutinhos por dia para isso. É essencial para incutir neles o saudável hábito da leitura. Isso, mais tarde, será determinante para eles. Vai fazer a diferença, com certeza.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

A importância e a magia dos contos


Imagem: http://www.themeridianepicenter.org

Alguém muito sábio, uma vez, disse que "É universal a necessidade de esquecer a vida e a realidade com as suas decepções, as suas afrontas tão duras para as almas altivas, os seus choques brutais tão dolorosos às sensibilidades delicadas. O sonho, mais ainda do que o riso, distingue o homem dos animais".

E é essa necessidade de sonhar, de modificar a realidade, de alçar magníficos voos pelas asas da imaginação, que atrai e encanta quem busca as estórias e os contos.

O guia, mago e xamã dessa trajetória encantada somos nós, os contadores de estórias.

Vamos passar a estória adiante? Unam-se, contadores de estórias! Façamos um mundo melhor com a nossa magia!

Ouça a estória "O galo rouco e o rato esperto", da Cigana Contadora de Estórias!

Quer saber quando tem estória nova no blog?

Apresentações de contadores de estórias

Palavra Cantada - O rato
Clara Haddad - O coelho e o baobá

Cia Ópera na Mala - A sopa de pedras do Pedro

Cia Ópera na Mala - Pedro Malazartes e o pássaro raro

Eventos & Cursos

A atualizar